segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O cara do carro

Tava eu dando uma voltinha pelo Tinder quando encontrei um rosto familiar. "Cacete, de onde eu conheço esse cara?". Se ele tivesse colocado uma foto da bunda eu poderia ter lembrado mais rápido que ele era o "cara do carro".

Eu, meu namorado na época, a amiga dele, o namorado dela. Uma saída de casal pra uma boate que tocava música latina. O meu namorado e a amiga sempre se deram muito bem e a conversa era tranquila. O namorado dela falava coisas estranhas. E eu já era eu, né. Então era a pessoa estranha que observava, apenas.

O álcool fez efeito e todos nós ficamos mais sociáveis. Rimos, dançamos. Até que tava ficando divertido. O casal sumiu e eu fiquei com meu boy sorrindo e aproveitando aquele momento sem briga. Até aquele momento.

- Ei, vai lá fora ver se tá tudo bem com o carro?
- Ué, tá doido? Vai você.
- Os seguranças não vão me deixar passar. Vai lá, rapidão.

Eu fui. Xingando, Me perguntando por que diabos aquele cuzão queria que eu fosse "dar uma olhada" no carro dele.

Até que eu cheguei no estacionamento e não encontrei o carro. E aí eu fiquei de perna bamba. Porque né, caralho, roubaram o carro do meu namorado. Rodei o estacionamento atrás daquele Pálio fi duma égua e nada. Até que, lá no fundo do estacionamento, no escuro, eu vi as luzes de freio de um Pálio acesas. Era ele. Me enchi de ódio e fui lá atrás do otário. Eu via a sombra dele dentro do carro. Eu queria quebrar o bicho na porrada. No meio do caminho a consciência me chamou. Ele podia estar armado. E aí eu comecei a ficar desesperada. Voltei correndo, de salto, nervosa e com as pernas bambas pra boate.

As pessoas que estavam vendendo cachorro quente na entrada viram o meu nervosismo.

- Moça, tá tudo bem?
- Moço, liga pra polícia, roubaram o carro do meu namorado, O ladrão tá lá dentro ainda. Me ajuda!
- Ele tá dentro do carro ainda? Peraí que a gente vai resolver.

Então a gangue dos donos de carrocinha de cachorro quente, churrasquinho e afins se juntou a mim na caçada ao ladrão, munidos de cabos de vassoura e faca de cortar pão. Se fosse em câmera lenta pareceria a cena de um filme que faz sátira dos filmes de ação.

Chegamos perto do carro. O cara do cabo de vassoura bateu no vidro. E aí, em vez de um ladrão, uma bunda branca surgiu no vidro. No banco, o rosto assustado de uma mulher.

- Moça, isso aí não é ladrão não.....
- Meu deus do céu. Gente, eu já sei quem são. Obrigada por me ajudarem, Não é ladrão, vambora daqui.

Era o casal que tinha vindo com a gente. Eles estavam transando no carro do meu namorado. Pior: era a primeira vez deles como casal e a primeira vez dela na vida. Eu levei uma comitiva de donos de barraquinha de comida pra acompanhar o ato. Eu vi a bunda do namorado dela. Nem eu transava no carro do meu namorado. Pois eu voltei puta pra dentro da boate.

- Como você não me avisou que eles estavam lá dentro?

E o namorado sem entender o que tava rolando. Quando eu contei a história do circo que eu armei ele perdeu o ar de tanto rir e foi lá fora ver o que tinha acontecido. O casal não voltou. Aliás, eu nunca mais vi o casal. Uns quase 10 anos depois eu vi o "cara do carro" no Tinder e dei boas risadas relembrando dessa história. Pensei em dar um match só pra ver se ele também lembrava. Mas aí eu lembrei que ele largou a camisinha usada no carro do meu namorado. Eca.


Nenhum comentário:

Postar um comentário