terça-feira, 12 de julho de 2016

As histórias



Não me interessa muito com o que você trabalha. Talvez eu pergunte, mas vai ser só pra puxar papo. Me interessa mais em saber o que você faz fora dele.

Eu não me importo com as baladas caras que você vai. Me conta sobre aquela série pela qual você desmarca qualquer compromisso só pra não perder a season finale.

Eu quero ver como você trata os seus pais. Porque eu sei que eles tiram a gente do sério. Mesmo. Mas, se você trata mal aqueles que te criaram, eu não vou pagar pra ver como você vai trata uma pessoa como eu, que você acabou de conhecer.

Me conta das suas viagens, mas eu quero ouvir aquelas histórias que ninguém mais vai contar, como quando você se perdeu num país em que não conhecia a língua, sobre aquela lanchonete que você ia desde criança com os seus pais nas viagens de carro, ou como acabou participando de um flashmob no meio da rua.

Me leva na sua casa. Quando abrir a porta e pedir pra não reparar na bagunça, é provável que eu não repare mesmo. Eu só quero ver aquelas fotos constrangedoras da época de criança, ou aqueles momentos felizes que foram tão bem registrados que mereceram parar num porta-retrato.

Me chama pra ver o seu filme favorito. Conta aqueles detalhes que você encontrou depois de ver o mesmo filme uma dezena de vezes e que eu não veria sozinha. Pode até me contar o final, eu não ligo. Eu quero ver o brilho nos seus olhos quando fala sobre alguma coisa que ama.

Eu não vou julgar como bom ou ruim o estilo de música que você ouve. Eu quero ver o brilho nos olhos novamente, ouvir uma história fantástica sobre um show que você foi, ou sobre aquele que não conseguiu ingresso e teve que subir numa árvore pra ver seu ídolo de longe. Me manda a sua música favorita e eu vou lembrar de você e dos momentos que tivemos sempre que ouvir.

Eu não quero o seu dinheiro, ou o seu status. Eu quero saber o que fez você ser o que é hoje. Eu quero as suas histórias. E uma garrafa de vinho, talvez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário