terça-feira, 24 de maio de 2016

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Que foi?

- Que foi?

Eu confesso que estava encarando, mas não conseguia controlar. Eu queria decifrar a cor dos olhos, que hora era meio castanho, hora era meio mel, ou meio verde, não sei. Só sei que eu estava olhando com uma fixação que poderia assustar o moço.

Depois eu passei a tentar decifrar o olhar. Como quando ele ria e fechava um pouco os olhos ou como ele arregalava quando eu dizia alguma idiotice. Tem também aquela pseudo covinha. E o jeito que a boca se mexe ao articular cada palavra. O riso solto depois de uma piada infantil e o mais contido e talvez até meio tímido quando falava alguma coisa parecia não ser dita todos os dias.

O cabelo, tão gostoso de fazer um cafuné, atraiu minhas mãos mesmo antes de eu perguntar se minhas mãos podiam estar ali. Eu estava encarando. E fazendo cafuné.

Agora eu procurava por pequenas cicatrizes e imaginava a história de cada uma delas. Queria saber se foi uma criança arteira ou um adolescente de mãos inquietas que mexia nas espinhas. Eu queria saber a história do dono daquele rosto. Voltei aos olhos. Aqueles que dizem ser a janela da alma. São tão expressivos! Foi aí que eu percebi que ele me encarava de volta, com uma cara de interrogação.

- Ericka?
- Oi.
-  Que foi?
- Nada não... só tava te olhando.

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