sexta-feira, 20 de maio de 2016

# família # filhos

Nos detalhes

Seria um dia como qualquer outro se não fosse um dia em que Alice tivesse acordado de mal humor detestando tudo ao seu redor. Não queria acordar, não queria ir pra escola, não queria almoçar, não queria mesmo ir pra escola. Tava tudo ruim. Com muito sacrifício, briga e jogo de cintura eu consegui fazer ela comer arroz, vestir o uniforme e sair de casa.

Vez ou outra eu a levo na padaria pra escolher o lanche da escola. Na maior parte do tempo ela escolhe algo que eu já tinha comprado e tava no armário de casa. Mas o evento "comprar o lanche na padaria" coloca a escolha nas mãos dela e, por alguns minutos, ela sente que eu não estou mandando nela o tempo todo e que ela pode ter escolha de vez em quando.

Aí que sobrou um real de troco. A gente poderia comprar balinhas, mas ela não comeria a tempo de chegar na escola. Nem pirulito. E com um real, nas padarias por aqui, você não compra muita coisa interessante pra uma criança. Até que eu vi a máquina de bolinhas.

A máquina de bolinhas é uma distração que dura alguns segundos. É o tempo de colocar a moeda, ver a bolinha descer pelo escorregador em espiral, pegar a bolinha, ver que ela é de um desenho estranho, brincar uns segundos e em algum momento ela vai quicar pra um lado aleatório e vai se perder entre os móveis. Mas eu quis tentar a sorte. Ela aceitou. E eu fiquei torcendo pra ela não tirar a bolinha com o moleque vestido com a camisa do Inter de novo.

- Eu queria uma bolinha do Frozen.

E eu só pensava que ela poderia tirar uma bolinha de futebol novamente.

- Eu não sei se tem Frozen aqui, mas olha que liiiinda essa bolinha do Batman! Vamos tentar?

- Tá, essa do Batman eu vou tentar pra dar pra você.

E assim fomos eu e ela na torcida. Coloca a moeda, gira a manivela. A bolinha veio descendo. Eu já tinha visto que não era a bolinha do Batman, não sabia o que esperar. Ela pegou a bolinha e olhou pra mim com os olhos arregalados e aquela boca em forma de O bem característica de criança quando fica surpresa.

- Eu consegui, mamãe, eu consegui! É a bolinha do Frozen!

Então toda a feição carrancuda dela mudou. Ela ficou feliz, sorriu e pulou de felicidade. Entre aquelas centenas de bolinhas, ela havia conseguido a que queria. Eu, vendo aquela mudança, também fiquei numa felicidade sem tamanho. A gente riu, dançou, pulou de felicidade em frente à padaria. Eu juro que tive que conter uma lágrima.

O caminho pra escola foi radiante. Tudo era motivo de riso, A gente dançava na rua enquanto andava. Ela segurava na minha mão mais forte do que o de costume. Chegou na porta da escola e pediu pra eu levar a bolinha pra casa. Fez outro pedido também:

- Posso dormir na sua cama hoje?

Pode. Claro que pode. Vê bem se eu vou estragar a felicidade da menina. E a minha.

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