terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Livre

Eu não senti a preguiça chegando. Talvez porque a cabeça já estivesse em outro lugar. Mas ela veio e ficou ali, quietinha, esperando a hora certa de se mostrar presente.

Era 1o de janeiro, o dia universal da vida nova, dos novos hábitos, das novas chances. Até o momento em que pisca na tela um nome antigo. Logo no dia 1o, ele só podia estar de sacanagem. Em respeito a um passado que eu nem sei se existiu, eu respondi.

Mas cada resposta ficava mais difícil por causa de uma força interna que me impedia de escrever. Começou a ficar realmente difícil manter a conversa. E não era ressaca do réveillon. Era ela, a preguiça.

Tempos atrás eu estaria completamente desestabilizada pelo contato inesperado. Outros tempos atrás eu ainda estaria chorando por causa da mesma pessoa. Mas não naquele dia.

Eu não queria mais saber o que ele pensava. Não me interessava mais o que ele sentia. Pouco me afetava saber se ele estava bem ou não. E não me entendam mal. Não era raiva, nem rancor. Só não me interessava mais. Deu preguiça, sabe?

Enquanto ele escrevia, as respostas ficavam cada vez mais demoradas, até que eu perdi o interesse no papo.

Ah, deixa pra lá, depois eu respondo.

Ano novo, vida nova. A preguiça me libertou.

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