segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

# batcaverna

Crônica de comida

O preparo começa no dia anterior ao escolher a receita. Rita Lobo, Buddy, Jamie Oliver oferecem suas maravilhosas dicas e eu escolho aquela que me deixa com mais água na boca. Às vezes eu procuro uma versão mais simples da receita escolhida na internet porque eu conheço as limitações das minhas habilidades.

Escolhi a carne e cortei em cubos com a melhor faca que eu tenho: a que veio numa coleção de churrasco da Caras. Como dizia minha mãe, tão afiada que corta até pensamento. Mas ela falava isso de alicate de unha.

Depois de cortada, temperei com pimenta do reino, páprica, sal e coloquei farinha de trigo até que se formasse uma fina camada em volta dos cubos. Eu, sinceramente, não sei se vai pimenta do reino nessa receita, mas eu sou tão fascinada por ela que coloco até na pipoca.

Reservo por um tempo. Quanto tempo? O tempo que eu levo pra lavar os pratos sujos na pia. Depois disso, volto para a minha receita. A limpeza da cozinha já foi comprometida pelo uso da farinha de trigo. Penso em fazer um bolo. Acabou o ovo, que pena. Tarde para ir ao mercado? Ok, a comida.

Alho e cebola no óleo para dourar. Em seguida, a carne. O alho triturado causa um verdadeiro alvoroço no óleo quente. Chego perto da panela como um cavaleiro, que tem como escudo a tampa da panela e, como espada, a colher de pau.

Carne frita, hora do creme de leite, aquela grande incógnita na minha vida por não saber diferenciar o que vem com soro, o que não vem com soro ou o que é natural porque eu simplesmente abro a caixinha e jogo na panela sem pensar no que é talhar. Um pouco de ketchup, um pouco de molho inglês porque parece combinar. A receita tradicional leva até conhaque, mas vamos ser realistas.

A cara ficou boa. O arroz ficou bom. Batata frita é bem difícil não ficar boa. Queria botar queijo ralado por cima por causa da admiração, assim como a pimenta do reino, mas logo percebi que poderia estragar tudo, infelizmente.

O livro dizia 25 minutos de preparo e eu levei quase 1 hora. Já é madrugada quando eu sento no sofá com a minha mais nova obra prima culinária e um episódio de Modern Family me aguarda no pause. Como até estufar o bucho, mas ainda penso no bolo. Deve ser isso que as pessoas chamam de enxergar a felicidade nas pequenas coisas. Dormi feliz.

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