quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Pois tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço

Expectativa é tipo praga, né? Germina em qualquer tipo de solo, desde o mais arenosos até os campos floridos. Eu, que não sou um deserto, mas também não sou um campo de lírios, descubro, vez ou outra, uma mudinha da maldita expectativa nascendo. É preciso arrancar pela raiz.

Eu também não gosto de plantar expectativas no solo alheio e muito menos que plantem em meu nome. E é isso que eu vou fazer hoje: vou passar com um avião cheio de pesticida matando qualquer expectativa que já tenha nascido em meu nome por aí.

Para começar, eu não sou a mulher da sua vida. Mas, enquanto fizermos parte da vida um do outro, eu prometo que vai ser divertido. Por não ser a mulher da sua vida, eu não posso te prometer amor eterno. Eu não sei nem o que vou almoçar amanhã, imagina o que vai acontecer daqui 50 anos e para depois da morte. Que o hoje seja fenomenal, que nós possamos curtir tudo que for possível. Amanhã nós vamos fazer valer a pena de novo. Mas pode ser que um dia o nosso amanhã já não exista mais. Acontece.

Não te prometo todo o meu tempo porque, moço, ele é tão curto! Meus horários são estranhos, minhas responsabilidades são tantas que eu preciso fazer listas. Sabe o que nos resta? Aproveitar ca-da se-gun-do disponível.

Infelizmente não é comigo que você vai viajar todo fim de semana, todo feriado ou todas as férias que surgirem. Não há tempo suficiente, não há dinheiro suficiente depois do dia 15. Mas você pode ir sempre que quiser, estarei aqui te esperando, com um monte de saudades pra matar.

Amor não vai faltar. Nem comida, nem bebida. Nem maratona de filme e série (se a Net assim permitir). Um sofá grande e confortável eu você dois filhos e um cachorro, um edredom, um filme bom no frio de agosto estará sempre te esperando.

Esqueço de todos os meus compromissos, mas ainda vou lembrar do que você me disse num verão qualquer, depois de muitos anos.

Não sou boa dona de casa, não sei cozinhar bem, A minha casa é sempre uma bagunça e no meu freezer sempre tem comida congelada pra salvar o dia. Miojo nunca falta. Durmo mal. Enquanto não pego no sono, te prometo um cafuné até você dormir. Talvez eu te observe enquanto você dorme, talvez não. Você nunca saberá.

Durmo de meia.

Choro com filme, choro com Grey's Anatomy, vou chorar com alguma grosseria que você disser. Choro pensando na vida, choro ouvindo minha banda favorita. Choro com pedidos de casamento e vídeos de parto. Choro em casamentos, choro no meu aniversário. É bom se acostumar.

Meu amigos são pedaços de mim, assim como minha família.

Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que ama fazer compras. O supermercado é a minha terapia, minha distração. Passeio por todos os corredores, mesmo aqueles em que não há nada do meu interesse. Sofro calada vendo o aumento do preço do leite em pó (que eu não troco pelo de caixinha porque ocupa muito espaço no meu carrinho de feira da Hello Kitty).

E se tiveres renda, eu aceito uma prenda, mas se, por um segundo, você se sentir ameaçado por mim eu te peço gentilmente que vá caçar o que fazer bem longe da minha pessoa.

Eu te farei as vontades mas não direi meias verdades porque não é assim que eu agrado alguém. Se eu não quero criar expectativas, também não vou deixar de falar a verdade, não faz sentido, né?

E na manhã seguinte, não conta até vinte, pode ir embora de mansinho se quiser, me dê um beijo de bom dia, diz que vai me ligar e joga a chave por debaixo da porta. Meu dia vai ser longo e eu ainda tenho que levar a cria na escola.

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