sexta-feira, 21 de agosto de 2015

É preciso ir embora

Existe um lugar onde eu adoro estar. Esse lugar se chama Zona de Conforto. Eu sei que as pessoas costumam demonizar essa Zona, mas poxa, algo que tem "conforto" no nome não pode ser de todo ruim, ainda mais se você passa muito tempo na Zona do Desconforto, tentando apenas se adaptar ou sobreviver numa realidade para a qual você não se preparou pra viver.

Eu gosto da Zona de Conforto porque é lá que eu encontro o sossego e a segurança que eu tanto procuro. Na Zona de Conforto eu posso andar de olhos fechados sem bater o dedinho do pé nas quinas.

O problema é que o ser humano é essa coisinha que não para de crescer. A minha Zona de Conforto, que antes parecia uma mansão, agora é do tamanho de um banheiro de quitinete. E aí você percebe que é hora de fazer as malas e ir embora. 

Passei a semana inteiro cantarolando aquela música do Leandro e Leonardo sobre não saber dizer adeus mas ter que aceitar que as coisas vem e vão. Eu vou dar adeus à Zona de Conforto que eu demorei uns bons anos pra construir e deixar do meu jeito. Não era a Zona Dos Meus Sonhos, mas me deu a segurança que eu precisava. Não era exatamente um palácio e hoje, olhando em volta, vejo que era um barraco construído com tábuas velhas e que, vez ou outra, quem segurava as paredes era eu mesma. Eu posso mais. Eu quero mais.

Eu não gosto do Novo. O Novo é desconhecido, está fora do controle e ele me assusta porque eu não sei se ele vai me dar qualquer segurança.

Mas eu preciso de mais. E é por isso que eu preciso ir embora.

Vou embora porque não quero ser um peixão num aquário. Um peixão num ambiente pequeno e controlado tende a achar que é o maior dos peixes. Preciso do mar aberto pra perceber que existem peixes muito maiores, outros mares, turbulências e me preparar para os tubarões.

Ao ir embora você pode ter que deixar algumas pessoas pra trás. Mas a parte boa é que, sendo adulto, você pode manter contato com quem quiser. Não precisa estar na mesma escola, nem no mesmo estado, muito menos no mesmo país. Tudo vai depender da vontade e dinheiro de pegar um carro ou um avião pra se encontrar. As amizades sobrevivem a distâncias e agendas cheias de compromisso. Basta querer e um pouco de paciência pra fazer dar certo.

Mergulhar em algo novo é como entrar num quarto escuro que não é seu. Você vai andar com as mãos esticadas na frente do corpo pra não bater o nariz em um armário que você desconhecia a localização. Vai tatear a parede em busca do interruptor. Pode ser que não encontre. Talvez você bata o dedo mindinho em algo, mas aí, depois de xingar, você percebe que é o pé da cama e que encontrou um lugar pra deitar, finalmente. Aí você deita na cama e manda mensagem pros amigos marcando a próxima bebedeira pra contar as novidades. Ainda é um quarto desconhecido, ainda está escuro. Mas você sabe que não está só e até já consegue diferenciar algumas formas no escuro. Na verdade, nem está tão escuro assim. :)


Nenhum comentário:

Postar um comentário