segunda-feira, 10 de agosto de 2015

# batcaverna # filhos

Como você dá conta?

Tem uma pergunta que eu ouço com frequência: "Amiga, como você dá conta?". É mesmo uma barra manter a casa de pé sozinha, ser mãe da Alice, ser Ericka, ser Ericka Guimarães, a jornalista. Às vezes eu respondo com uma piadinha, ou um sorriso sem graça. Digo até que não sei. E se você quer mesmo saber, verdade é que eu não dou conta.

Eu não sou uma dessas blogueiras que consegue manter a casa arrumadíssima com a sala de estar pronta pra ser capa de revista a qualquer momento. Por mais que eu queira, não sou uma dessas mães prendadas que conseguem fazer suco natural todos os dias pro filho levar de lanche pra escola. Às vezes eu levanto tão atrasada pra ir trabalhar que nem penteio o cabelo. Já perdi várias saídas com os amigos porque deitei no sofá pra tirar uma sonequinha de meia hora antes de balada e acabar dormindo até às 3 da manhã de tanto cansaço. "Eu sou só uma, porra!", já dizia a minha avó. Eu adotei a frase pra minha vida. 

Sendo apenas uma, o meu lema de vida é "cada escolha, uma renúncia" (Saudades, Chorão!). Renuncio de algumas horas de sono pra arrumar a casa ou renuncio da organização pra poder dormir mais um pouco. Renuncio da arrumação pra ter tempo de fazer almoço, renuncio do almoço pra conseguir levar a Alice na escola no horário. Renuncio de vida social pra poder descansar. Às vezes renuncio do descanso pra poder sair desse ciclo casa-trabalho. Não dá pra fazer tudo.

Tendo consciência das minhas limitações fica mais fácil aceitar ajuda e aceitar a bagunça da casa. Tem uma imagem muito tradicional na internet que mostra uma mulher com vários braços: ela segura um utensílio de cozinha, um computador, um drink, uma criança, sacolas de compras. A roupa está impecável, o rosto sereno. Eu não sou esta mulher. E nem sei se quero ser. Eu prefiro ser vista como um ser humano de dois braços, que além de não ser perfeito e infalível, é canhoto e a mão direita não é tão atuante quanto a outra.

A minha casa é, normalmente, bagunçada. Não apareça sem avisar ou você pode se surpreender. Alice, inclusive gosta de dizer que gosta da casa dela "do jeito que ela é".

- E qual é o jeito da casa, Alice?
- Bagunçada.

Eu vou ao mercado às 11 da noite porque é o único horário que sobra um tempinho. Com sorte, durmo às 2 da manhã. Acordo às 7h45 pra buscar Alice quando ela dorme na casa dos meus pais. Entre às 7h45 e às 23h do fim do dia eu só tenho tempo pra descansar no metrô ou na hora de intervalo do trabalho. Às vezes eu chego em casa e choro de cansaço até dormir. Por vários dias seguidos eu desisto de lavar a louça e termino a noite vendo Um Maluco no Pedaço no Netflix até dormir.

Eu já me libertei desse mito de ser mãe e mulher perfeita porque não tenho vocação alguma pra isso. E eu vivo bem depois dessa libertação. Não devo satisfação das minhas imperfeições pra ninguém também, outra coisa que é libertadora. Só tô aqui pra levar a minha vida numa boa. Só quero sossego. :)

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