domingo, 14 de junho de 2015

Vamos nos permitir - parte II

Como jornalista, eu sempre me senti na obrigação de falar sobre coisas que realmente haviam acontecido. Uma licença poética aqui, uma dramatização acolá, ok. Mas o fato era aquele. Mesmo que outra pessoa enxergasse de outra forma. O que eu não queria era inventar histórias. Eu sempre recebo perguntar do tipo: "isso aconteceu mesmo?" e eu respondo que sim. Aqui, no Era Cilada, é sobre isso que eu falo. Minha vida, talvez a sua, talvez de um amigo seu, quem sabe.

Eu queria que vocês vivessem na minha cabeça por um tempo. É uma loucura. O tempo todo surgem histórias esquisitas e viagens e alucinações e divagações. Às vezes eu me ponho de castigo pensando: "ow, idiota, para de perder tempo com isso". E aí eu corto o pensamento e volto à vida real.

Mas eu não consigo mais mandar nesses pensamentos, eles estão soltos, rolando por toda a caixa craniana. Uma vez eu ouvi dizer que, pra você tirar uma música que grudou na cabeça, você precisa cantá-la até o final e ela magicamente te deixará em paz. Então, decidi que quando eu for atormentada por histórias malucas, eu vou contá-las até o final pra ver se elas largam do meu pé e eu tenho sossego.

Vai ser sobre mim? Bom, não. Mas eu acho que tudo que a gente escreve tem um pé no real. Se até Gabriel Garcia Marquez, o rei do realismo fantástico disse que usou a vida real como inspiração, quem sou eu pra ir contra? Dia desses eu tava lendo A Arte de Pedir e a Amanda, minha nova best friend, usou a analogia do liquidificador para o processo criativo ao escrever suas canções. Ela conta que é como se pegasse algum fato, algum acontecimento, jogasse no liquidificador e ligasse. Você pode ligar na velocidade 3, em que o fato tá ali, misturadinho, mas você ainda consegue reconhecer os pedaços dele boiando. Ou então você pode ligar na velocidade 11 e triturar de uma forma que aquela vivência não seja mais reconhecida. Assim, posso jogar tudo no liquidificador e ver a gororoba que vai sair. Se você quiser acompanhar, fica à vontade, é só me seguir lá no Medium. Ou então você pode assinar a maravilhosa newsletter do blog, onde eu vou divulgar sempre que eu publicar algo por lá.

Então, é isso, chega de avisos. Esse é o meu primeiro texto de ficção que deixou de habitar apenas a caixa craniana e as folhas do meu bloquinho.

Mudança

Cheguei em casa e encontrei a cadeira vazia. Eu passei quatro anos implorando pra você parar de usar aquela merda como cabide e, agora que você foi embora, eu sinto falta da sua pilha de casacos amontoados ali. (continue lendo lá no Medium)

Nenhum comentário:

Postar um comentário