segunda-feira, 29 de junho de 2015

Não namore a escritora

Amigos e amigas, se vocês gostam de privacidade e anonimato, eu vos aconselho: não namore a escritora. São sérios os riscos.



Se você encantar a escritora, corre o risco de se ver descrito em uma de suas páginas. Você pode encontrar uma frase solta sua que originou uma história. Você pode ver um personagem que é a sua cara numa crônica qualquer. Mas você nunca vai ter certeza de que é sobre você/para você, a não ser que ela fale. Você não vai cometer essa gafe de perguntar, não é mesmo?

Se você sacaneou a escritora, a qualquer momento você pode se ver sendo morto com requintes de crueldade, como uma faca no meio da barriga, que não mata de vez, mas faz jorrar sangue e costura uma boa cena de morte enquanto o moribundo se arrepende dos próprios pecados e até dos pecados da humanidade.

Se você sacaneou a escritora [2], você pode ser obrigado a ler tudo que aconteceu acompanhado de uma grade dose de drama, o que pode fazer você sentir (1) culpa (2) raiva (3) achar graça, se você for babaca. Talvez você sinta uma onda de ódio vindo pra cima de você, porque as leitoras são fiéis e vão passar a te odiar pelo que você fez com a escritora. E você não vai cometer a gafe de tirar satisfação, não é mesmo? (Isso pode virar um outro texto, olha o perigo!)

Se você beijou a escritora, pode saber que aquele beijo vai ser retratado uma hora ou outra, cheio de suspiros, adjetivos, pensamentos que você não fazia ideia que ela teve e <3. Ou pode ser retratado como aquele beijo sem graça que fez ela dar uma brochadinha. Ou ainda, o que é pior: pode não ser retratado hora alguma. Imagina só, ser tão insignificante que nem conseguiu dar um sopro de inspiração pra escritora. Olha, se você não serve nem de inspiração pra escritora, é melhor passar longe.

Se você fez uma escritora se apaixonar por você, aguente. Vai ter textão sim, vai ter frasezinha de amor, sim. Vai ter mensagem no meio da noite com palavras talvez desconexas? Ah, vai ter demais. Vai ter suspiro? Vai ter bastante. Vai ter a escritora escrevendo mil vezes sobre a mesma coisa? Pior que vai. Os leitores apaixonados vão surfar na onda. Os que não estão apaixonados vão seguir em frente.

Se você se divertiu com a escritora, qualquer dia desses a aventura de vocês vai ser publicada. Muita gente vai rir, muita gente vai querer saber se aquilo de fato aconteceu. Vão querer saber se você é real. Pode ser que a escritora nunca confirme a sua existência. Você não vai querer estragar tudo revelando sua identidade, não é mesmo?

Não namore a escritora se você não quer que o mundo saiba da sua existência. Eu não gostaria de ser o cara em quem a Adele se inspirou pra escrever Someone Like You. Imagina só: a mulher sofreu que nem cachorro que caiu da mudança, escreveu uma música, contou para o mundo inteiro como você foi cruel ao abandonar aquele pobre coração partido. Eu já odiei esse cara um dia. Porque Adele é miga, sabe. A gente toma as dores das migas. Mas pelo menos ela ganhou uma grana violenta com tudo isso. Queria ganhar uma grana com os meus corações partidos de outrora.

Ou você pode namorar a escritora, com todos esses sérios riscos... e ser eterno. (Ou enquanto durar um livro, um blog, a internet, o Google Drive)

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