sexta-feira, 29 de maio de 2015

# baseado em sentimentos reais

Nem tudo está perdido

Eu devia estar com uma cara bem braba quando entrei e sentei no metrô porque, mesmo com um lugar vazio ao meu lado, as pessoas preferiam ficar em pé. Sou dessas que não consegue disfarçar o que sente. É visível, fica na cara mesmo. Tava furiosa, puta da vida, xingando deus e o mundo mentalmente. O trabalho, as pessoas, o trânsito, a vida, as contas, a porra do calor.

Cheguei em casa e usei aquela tática horrorosa de descontar a frustração na comida. Pedi uma pizza grande só pra mim. A pizzaria fica na minha rua e eles ainda cobraram taxa de entrega. "Sério que vocês vão cobrar taxa pro entregador só atravessar a rua? Ah, foda-se. Eu não vou aí, mesmo".

Em pouco mais de dez minutos eu estava sentada no chão, atracada com um pedaço de pizza tão gorduroso que eu fiquei com medo do copo escorregar da minha mão. Continuava puta da vida. A mágoa resistia aos meus esforços de sufocar a danada com massa. Inclusive, mágoa que sabe nadar é das piores, porque meia garrafa de coca não afogou a infeliz.

Comi tanto que não dei conta de sair do lugar. Deitei no chão, esparramada como quem faz um anjinho na areia. Lembrei da última vez em que me joguei naquele mesmo chão, véri crêyzi de uma mistura muito imbecil de vodka com vinho. Era o dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo e eu tinha decidido usar o futebol como meu ópio e esquecer o desastroso pé na bunda que havia levado. Só não foi pior que o 7x1 que a seleção brasileira levou. Perdi meu ópio. E foi assim que eu acabei rolando no chão da sala como efeito da mistura imprudente.

Tirei daqui, ó


"Olha eu aqui de novo", pensei.

O celular toca. Era uma mensagem do moço bonito. Fui responder e o celular caiu no meio da minha cara. Típico. Mas o susto me fez ter um pequeno momento de epifania. Nem tudo estava perdido. As coisas estavam bem melhores desde que olhei minha vida do ângulo do chão. Eu não estava bêbada. Tirando aquele dia, eu estava bem feliz. Da fossa eu havia saído. No estilo meio Samara d'O Chamado, mas o que importa é que eu tava fora.

Como me disse uma amiga, "a vida não é aquele 7x1, não". Eu não sei por quanto tempo a gente ainda vai poder fazer essa analogia (espero que por alguns anos, ainda), mas fez todo sentido. A vida pode não ser uma goleada, pode até rolar umas bolas explodindo na trave. Mas ela entra. E quando entra, tem que comemorar.

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