domingo, 12 de abril de 2015

Retalhos

Às vezes no silêncio da noite, eu fico imaginando nós dois como eu seria se não tivesse vivido algumas coisas, se não tivesse entrado em tantas ciladas, e no meio de tudo isso conhecido pessoas fantásticas, se não tivesse quebrado a cara tantas vezes e, mesmo assim, não ter desistido de viver. O que eu percebi é que, cada pessoa que passa pela minha vida, deixa um pedacinho dela comigo. Como quando a gente dança forró com um monte de gente e fica com vários perfumes diferentes pelo corpo. É como se eu fosse uma colcha de retalhos. Tipo aquele episódio de Gilmore Girls em que a Lorelai faz uma colcha com todas as camisetas de viagens que ela fez com a Rory. Era a história delas.

Tem um retalho da pessoa que me ensinou a não levar tudo tão a sério, o retalho dos palavrões, o retalho do gosto pelo vinho, o retalho da fotografia, o da Joss Stone, o da escrita, o da arrumação de livros, o da paciência, o do Batman, o da música sertaneja, o retalho da pessoa que me deu liberdade pra ser quem eu sou, os do amor incondicional, os da desconfiança e os vários retalhos de cilada, o retalho do Corinthians, o retalho do surto, o retalho da recuperação. Alguns retalhos eu mesma bordei, outros são presentes tão bregas quanto fotos de casal estampadas em camiseta, mas são cheios de amor mesmo assim. Fico imaginando que tipo de colcha eu seria sem certos retalhos. Talvez mais bonita, ou mais fina. Mais leve, com certeza.

Alô, você, que pode ser o meu retalho do controle financeiro. Estou te aguardando ansiosamente.


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