domingo, 26 de abril de 2015

Não vai dar tempo

Eu tenho a impressão de que toda vez que eu começo a colocar minha vida nos eixos, ela dá um duplo twist carpado e fica mais bagunçada do que já era. Me sinto como Daiane dos Santos apresentando a loucura que era a coreografia de Brasileirinho, executando aqueles movimentos que muitas vezes o próprio corpo não aguentava. A diferenca é que eu estou dançando e sambando numa velocidade fora do normal e tropeçando várias vezes no próprio pé.

Faz alguns anos que acordar cedo não está na minha rotina. De repente eu descobri que o dia tem uma duração maior do que eu estava acostumada, o que não me deixa outra opção a não ser tirar cochilos esporádicos por cima do teclado do computador ou sentada na privada do trabalho. É, vida de mãe não tem glamour mesmo.

Mas, como eu ia dizendo, acordo cedo (depois de adiar o despertador algumas vezes) pra arrumar a casa, fazer comida, lavar a roupa novamente porque eu esqueci de colocar no varal e ficou tudo com cheiro esquisito, lavar banheiro, cuidar da cria e arrumá-la pra ir pra escola. É nesse momento em que eu tenho certeza que entro numa fenda no tempo. A hora que eu tinha de vantagem simplesmente desaparece e, num piscar de olhos ou num enxague de pratos, estamos atrasadas.

E aí que eu começo a colocar o arroz e os outros acompanhamentos pra cozinhar (eu faço almoço todo dia agora, nem eu acredito nessa pessoa que me transformei), dar banho na Alice e passar a roupa que vou usar. Eu não sei nem porque me dou o trabalho, já que em menos de uma hora ela já estará amarrotada novamente e talvez suja com uma pegada ou com poeira do carro que eu me recuso a lavar. Não posso queimar o arroz, não posso queimar a minha roupa nem esquecer o ferro de passar roupa ligado (de novo), muito menos a cria de molho no chuveiro (às vezes eu esqueço).

A comida fica pronta e minha filha milagrosamente não faz mais piadinhas do tipo: "a comida da vovó é melhor" ou "não gostei da cor da sua comida" ou simplesmente, "tá ruim". Ela come e até gosta. Ou perdeu a graça ou eu realmente melhorei na cozinha. Um trabalho a menos. Isso quando ela não resolve que não sabe mais comer sozinha ou que precisar urgentemente correr pela casa. Pentear o cabelo, colocar o uniforme, calçar o tênis, arrumar o lanche e a mochila da escola. Arrumar meu cabelo, trocar de roupa, engolir a comida, calçar meu tênis, correr pro carro, colocar a cria na cadeirinha, dirigir até a escola tentando driblar os buracos, os carros, os semáforos, tendo conversas difíceis com a filha em que ela exige que eu olhe pra ela enquanto falo, ou fazendo perguntas pras quais eu não faço ideia da resposta.

Enfim chego na escola e encontro dificuldade em estacionar porque alguns queridos pais se acham no direito de estacionar o carro na diagonal, usando duas vagas ao mesmo tempo, ou no meio da passagem porque, afinal, "é rapidinho, só vou deixar ali na porta e volto". Respiro, seguro o palavrão. Acabei de sair de casa e já tô suando a ponto de passar pela minha cabeça se dá tempo de tomar outro banho pra ir trabalhar. Lógico que não dá, porque nunca sobra tempo. Depois de tudo isso eu chego na porta da escola e a senhorinha que cuida da entrada das crianças me dá uma bronca dizendo que eu deveria chegar mais cedo, que estou cinco minutos atrasada. Cinco minutos!

Minha senhora, já foi uma vitória eu conseguir chegar aqui.

[insira aqui o final d'O Brasileirinho]


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