domingo, 15 de março de 2015

Pesadelos assustadores

Dia desses tava deitada na cama lendo meu livro e Alice, que já tinha dormido, veio pra minha cama. Calada, ela simplesmente subiu na cama e se aninhou comigo. Quando fui apagar a luz ela começou a chorar, dizendo que não queria dormir. Eu, sem entender, falei que era hora de dormir e apaguei. Ela chorava aos berros, até que contou porque não queria dormir, porque estava com medo do escuro.

- Eu não quero dormir porque quando eu fecho os olhos tenho pesadelos assustadores.












E aí que meu coração ficou pequenininho. Normalmente quando acontece alguma situação relacionada à maternidade que eu não sei bem o que fazer, eu tento lembrar do que eu gostaria que acontecesse quando tinha a idade dela. Lembrei dos meus pesadelos, de como eu tinha medo de andar no escuro, que aprendi a não levantar pra fazer xixi à noite pra não ter que ir até o banheiro, andar pelo corredor escuro ou olhar no espelho. Lembrei que não tinha nada que meus pais pudessem fazer efetivamente por mim, a não ser dizer que "essas coisas não existem" ou simplesmente me aconchegar na cama deles, o que quase não acontecia, já que a minha reação era me esconder nas cobertas e aguentar o  tranco sozinha.

A minha vontade era de chorar baixinho junto com ela. A dor dela tinha virado a minha dor. Mas não era isso que ela precisava. Respirei fundo e fui a mãe que ela precisava. Abracei e coloquei a pimpolha debaixo do edredom. Ele sempre dá sensação de proteção. Disse que ela não precisava ter medo do escuro porque as coisas não iam sair do lugar, eram as mesmas coisas que estavam ali quando era dia. E quanto aos pesadelos, falei que ela precisava ficar mais tranquila na hora de dormir, parar de ficar vidrada na TV. E aconselhei que se ela tivesse um pesadelo, que lembrasse que eu estaria sempre ao lado dela. Dormimos grudadas (metaforicamente e literalmente, era suor pra todo lado).

Na manhã seguinte, levantei para cuidar dos afazeres e deixei a pequena na cama. Um tempo depois ela levantou. Quando me viu, abriu um sorriso, me deu um beijo no rosto e disse: "Funcinou! Você tava lá no meu sonho!"

Coração de mãe deve ser enorme pra caber essas coisas dentro, viu.

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