domingo, 22 de março de 2015

Maternidade e estudos

Eu nunca tive sonho de ser mãe. Mas lembro de imaginar que, passado o susto do positivo, o destino havia escolhido a melhor janela da minha vida pra colocar a Alice na minha vida. Eu não era madura, muito menos independente. Havia cursado mais da metade da faculdade de jornalismo. Talvez se tivesse acontecido um pouco antes, eu poderia ter trancado a matrícula e sabe-se lá quando (se) voltaria.

Não larguei. Dei sorte dela ter nascido nas férias e cursei um semestre de casa. Tenho poucas lembranças dessa época. Uma delas é de estar fazendo algum trabalho no computador. Com uma mão eu digitava ou usava o mouse, com a outra eu segurava a Alice, que hora dormia, hora mamava.


No último semestre eu tive que voltar às aulas presenciais. A separação era sempre difícil. Só não era pior que tirar leite. Passava algumas horas do dia usando aquele pequeno instrumento de tortura. Deixava a medida que eu julgava suficiente para suprir a minha falta durante as aulas, mas vez ou outra, ele acabava muito antes do horário e eu tinha que voltar correndo pra casa.

Foi nesse ritmo que eu escrevi o meu TCC. Também não tenho muitas lembranças dessa época. Sei que trabalhava 6 dias por semana, corria pra casa, dava um pouco de atenção pra cria e corria pra aula. No último semestre eu fiz 5 matérias mais o bendito projeto final, sendo uma delas no sábado de manhã. Então, depois do corre da semana, na sexta à noite eu saía da aula, ia pra casa pra escrever ou ler algum livro relacionado ao TCC, virava a noite escrevendo/lendo, de manhã ia pra aula e de tarde ia pro trabalho. Como eu dei conta? Não sei, só sei que foi assim. Me formei. O projeto me sugou a alma, mas me rendeu nota máxima.

Eu não parei de estudar, mas hoje em dia tenho horror à sala de aula. Fiz tantos cursos online que não vejo mais necessidade dela. Cursos pagos, gratuitos, livres, pós graduação e ainda tem outros vários na lista de espera. A internet, amigos, ela é maravilhosa quando bem utilizada. É um alívio e uma mão na roda poder ouvir um curso enquanto põe a criança pra dormir, ou poder se dedicar nos seus próprios horários e ritmo e não quando é estipulado pela instituição de ensino. 

Enquanto Tom Jobim diz que é impossível ser feliz sozinho, eu digo que impossível mesmo é criar uma criança sozinha. Enquanto eu estudava eu precisei dos meus pais, dos avós da Alice, da minha irmã e de qualquer pessoa que me oferecesse braços pra segurar o bebê enquanto eu estava fora. Além disso, alguém tinha que pagar as minhas contas, me dar moradia, brincar com ela enquanto eu cochilava em qualquer canto. Tom, ser feliz sozinha é moleza. Quero ver lavar a louça com bebê no sling sem parar o embalo pra ele não acordar, ou ler um livro enquanto a cria tenta comer as beiradas dele ou se aventurar pela casa como se fosse o Homem Aranha. Melhor ainda quando você está digitando algo e seu amado filho resolve apertar a tecla de desligar, ou mesmo arrancar todas as teclas do computador. Depois que passa a gente ri, né?

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