domingo, 1 de março de 2015

# baseado em sentimentos reais # relacionamentos

Das coisas que deixamos pelo caminho



Você tá vivo? De vem em quando eu sinto um impulso de procurar notícias suas que possam responder essa pergunta.

Ontem eu abri meu guarda-roupa e senti falta daquele casaco que eu esqueci dentro do seu. Você já sabia que ia acabar, deveria ter insistido pra eu trazê-lo pra casa. Espero que a sua atual não o tenha jogado fora. Era o meu casaco preferido e a única prova que a gente existiu. A única prova de que você não foi um amigo imaginário que eu inventei. Pensei em pedir que você me enviasse pelos Correios, mas ele viria carregado de memórias que eu levei muito tempo pra domar.

Mas a teoria de que você foi meu amigo imaginário faz muito sentido. Ninguém viu você, ninguém além de mim, falou com você. Não há registros nossos juntos. E não é porque eu apaguei, é porque eles não existiram mesmo. Você apareceu num momento de carência emocional enorme e foi embora exatamente naquele ano em que tudo na minha vida começou a entrar nos eixos. Você iria dizer que as coisas começaram a entrar nos eixos exatamente porque você foi embora, mas eu não acredito que você tenha esse poder todo. O meu ponto é: não é esse o papel de um amigo imaginário?

Se bem que eu nunca acreditei nessa história de amigo imaginário, sempre achei que eram fantasmas que batiam papo com as crianças que não tinham com quem brincar. Dizem que as crianças são sensitivas, né?

Acho que você, como fantasma, ficaria bem. Naquela vez em que você tentou conhecer outras dimensões e não mais voltar pra nossa e não teve o resultado desejado, me disse que uma parte de você havia morrido de verdade. Era isso que você estava tentando me dizer? Que você é um fantasma? Espero que você tenha encontrado o seu caminho. Mas que meu casaco faz falta, ah, isso faz mesmo.

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