sábado, 7 de fevereiro de 2015

Dar nome aos bois

Eu tenho um costume de nomear e apelidar coisas e pessoas. Não sei ao certo como ocorre o processo criativo. Só sei que, de repente, eu já tô chamando a pessoa de Cabecinha, ou de Gabilicious, ou de Bonito, ou um grupo de amiga de Ladies, de Paizão, de Joleana, de Eudínea, Dona do Ar, Big Brother, Seu Amigo, Geekboy, Tallboy... Alice tem alguns apelidos, desde o mais simples Alicinha, como a versão dupla Alicinha-Alicinha (usado quando ela me chama de Mamãe-Mamãe), que também pode ser Guria e atualmente eu chamo de Saguria, que é a versão mais curta de "Essa Guria". A minha casa eu apelidei de Casa dos Prazeres porque eu disse que seria o local em que minhas amigas poderiam fazer tudo que o resto do mundo proíbe.

Mesmo com esse costume, não me conformo com a mania, a necessidade de nomear e definir certas coisas. Exemplo: gente que dá nome a partes do corpo. Moço, se a gente ainda se falasse eu ia te aconselhar a nunca mais chamar seu pênis carinhosamente de Pintinho, mesmo que ele realmente seja -inho. Não satisfeitas, as pessoas inventam o garbagesexual, o lumbersexual, o sponresexual, g0y, normcore. Eu não entendo qual a necessidade de inventar um nome para quem simplesmente se veste normal. Tem necessidade?













E as selfies? Não basta nomear, tem que criar os derivados também: Belfie, Buselfie, Aftersex, Selfitness... Não é tudo... foto? Não entro nem no mérito da necessidade de publicar uma foto pós coito ou da própria bunda. Isso eu deixo com vocês.

As relações não escapam das classificações, às vezes tão extensas quanto a dos Reinos da aula de Biologia. Situação: conheceu uma pessoa e, de repente, já estão perguntando se é conhecido, colega, amigo, amigo colorido, peguete, ficante, rolo, P.A, namorico, relacionamento aberto, namoro, noivado e por aí vai. Calma, gente. Se você não vai atualizar meu status no Facebook por mim, por que precisa tanto nomear o que eu tô vivendo? O importante não é o que eu sinto?

Eu já fui dessas de querer dar nome aos bois a todo custo e demorei algum tempo até perceber que definição de relacionamento não garante afeto, não garante fidelidade, não garante compromisso (a não ser que você assine uns papéis com a outra pessoa no cartório). Então, vamos todos fazer um exercício de trocar a pergunta "O que ele é seu?" ou "O que ela é sua?" para "E aí, tá feliz?" Afinal, independente de nome, se é casamento ou P.A. ou se não tem nome, não é isso que importa? :)

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