segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

# família # filhos

Casa da vó











Casa de vó é um trem mágico. Teoricamente, é uma casa como outra qualquer. Mas, uma vez dentro, você é envolto em uma onda de felicidade e naquele sentimento de poder fazer/comer tudo que quiser e aí é difícil mesmo querer voltar pra casa, onde tem hora pra dormir e não pode comer a sobremesa antes da refeição. Eu era assim com as minhas avós. Alice é assim hoje e eu tenho que entoar um mantra de "não é comigo, é porque é casa de vó".

Na casa da vó Teresinha a gente podia comer chocolate o dia todo. E leite condensado (hábito que eu carrego até hoje). E biscoito. E pizza. E miojo. E a comida... pré-requisito básico pra ser vó, mandar muito bem na cozinha. E brincar debaixo do prédio (expressão que os brasilienses vão entender), andar de bicicleta, jogar videogame. Melhores almoços de domingo. Tinha também a casa da vó da minha amiga, que era como vó minha também. Dona Nair e sua casa cheia de antiguidades, macarrão caseiro, bolinho de arroz e um quarto só pra gente brincar.

A casa da minha mãe, que também é casa de vó, é naturalmente cheia dos atrativos. Eu poderia citar aqui todas as artimanhas que prendem minha cria lá dentro, mas eu sei que o que conta é a presença dos meus pais lá. E poxa, eles são legais mesmo, não tem como competir.

A casa da vó Iracema, porém, era cercada de alguma magia, sem dúvidas. Lembro a choradeira que era toda vez que a gente tinha que ir pra casa. A gente fingia que tava dormindo pro meu pai ficar com pena e deixar a gente lá. Era arriscado, mas às vezes dava certo. Era uma casa simples, cheia de cacarecos do meu avô, papel pra todos os lados, invenções, ferramentas. A cama da minha avó era disputadíssima, já que ela tinha colocado meu avô pra dormir na sala porque não aguentava o barulho do rádio. Ele tinha apenas 20% da audição e gostava muito do seu equipamento, completamente tunado: cheio de fios, antenas e fones remendados. Ele recebia cartas de rádios de Israel, dizia que ouvia a rádio do Vaticano e uma vez recebeu carta de um cubano pedindo dinheiro.

A casa da vó Iracema hoje é mais lembrança do que material. Ela e o vô Teixeira morreram e a casa tem ficado fechada. Aquele quintal que já abrigou muitas brincadeiras, muitos banhos de mangueira, já foi morada de uns 8 gatos ao mesmo tempo (parecia uma favela de caixas amontoadas), além dos cachorros, está acumulando poeira. A casa que era quartel general das amigas da minha avó no café da tarde pra fofocar da vida alheia, está no escuro. É estranho ver que aquela casa que já foi cheia de gente hoje está vazia. Aliás, parece que não está tão vazia. Dia desses minha prima de 3 anos, que mora ao lado da casa, perguntou o que a vó dela, que deveria estar no céu, estava fazendo dentro da casa.

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