domingo, 22 de fevereiro de 2015

# família # filhos

A saga da Mônica Bebê ou: nunca prometa nada a crianças

A culpa materna movimenta bilhões mundo afora. Mais do que a indústria do álcool, mais do que a do tabaco, mais que a bolsa de valores. Existem mães maravilhosas, cheias de si e seguras do papel que desempenham. E com toda razão. E tem aquelas que, como eu, sempre se perguntam de quem veio a autorização pra ser mãe e que ela vai ser revogada a qualquer momento. E na hora do desespero ou até do descuido a gente comete a burrada de prometer um presente em troca de alguma coisa. O projeto de gente sorri, brilha os olhos, abraça e beija. Supernanny já nos ensinou que esse tipo de recompensa não é lá muito bom. Mas poxa, olha como ela tá feliz... Foi assim que a Alice me pediu uma "Mônica Bebê" e eu disse que daria, se ela se comportasse.

Saí do trabalho e passei em duas lojas de brinquedo. Nada da tal Mônica Bebê. Pensei em levar outra coisa, mas podia ser dinheiro gasto à toa. Saí do shopping de mãos vazias. Enquanto isso, recebo mensagens da minha mãe dizendo como a guriazinha havia se comportado e que passou o dia inteiro falando do presente que eu ia dar. Droga. Cheguei tão tarde em casa que ela já estava dormindo, mas não me dei por vencida e saí na manhã seguinte à procura do presente.

Me senti como o Schwarzenegger naquele filme Um Heroi de Brinquedo, em que ele promete o brinquedo mais badalado dos últimos tempos para o filho, mas deixa pra comprar somente na véspera de Natal e logicamente não encontra. Eu passava por cada prateleira, cada gôndola atrás da pentelha da Mônica, pela qual eu já estava nutrindo um ódio incomum. Amaldiçoei as propagandas na TV, que fazem ela querer todo e qualquer brinquedo que é mostrado na tela, xinguei mentalmente Maurício de Souza por ter criado a personagem, roguei praga em todas as lojas em que eu entrava e "não temos mais, senhora...".

Entrei numa loja, já sem esperanças, e encontrei uma caixa rosa meio avariada, virada pro canto. Era ela. Era a porra da Mônica Bebê! Corri em câmera lenta a ela, ao som de We Are The Champions e agarrei com toda a minha força. Eu consegui! Não iria decepcionar minha cria, eu seria uma boa mãe! Levei ao caixa. Certamente uma facada desnecessária no meu bolso, mas não havia mais tempo, já que eu passei a manhã toda de loja em loja procurando. Até o horário do almoço eu havia perdido. Divide em três vezes, moça. É a felicidade da minha filha.

Cheguei em casa eufórica e aliviada por ter conseguido. Entreguei o embrulho e ela olhou pra mim como se eu fosse a pessoa mais legal do universo. Bateu palmas, deu pulinhos e gritinhos. Ajudei a abrir e vi quando ela levou a mão à boca quando viu a bendita Mônica Bebê. Foi lindo. Ela abraçou, beijou a boneca, me beijou, brincou, conversou com ela. Meia hora depois, passado o êxtase, ela diz:

- Deixa eu mostrar pra você a boneca que eu quero agora.

Pelo preço que eu paguei nessa que já tinha perdido a graça, eu achei que merecia um pouco mais do que meia hora de amor. Amor de criança não se compra porque sairia muito caro.


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