sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

# Desafio Literário

Sete Anos - Fernanda Torres

Primeiro livro do Desafio Literário: livro que contém número no título


Dia desses estava lendo o meu maravilhoso Dicionário de Gêneros Textuais e encontrei o seguinte trecho na definição, de duas páginas e meia, de crônica:
"É ao mesmo tempo, a poesia, o ensaio, a crítica, o registro histórico, o facutal, o apontamento, a filosofia, o flagrante, o miniconto, o retrato, o testemunho, a opinião, o depoimento, a análise, a interpretação, o humor. Direta e simples como um samba. Profunda como a sinfonia. É compacta, rápida direta, aguda, penetrante. [...] Para ser boa, não deve ser mastigada. Deve dissolver-se na boca do leitor, deixando um sabor de vivência comum. Deve parecer que já estava escrita há muito tempo na sensibilidade de quem a lê e foi apenas lembrada ou ativada  pelo escritor/jornalista que lhe deu forma. [...] A crônica é o samba da literatura".
E não é que era isso mesmo? O cronista transforma o banal, o cotidiano, em algo extraordinário, com um quê de poesia, algo interessante de ler, mesmo que não fosse um assunto de interesse prévio. Fiquei imaginando que, um dia, gostaria que os meus escritos se encaixassem nessa definição.

Em 2014 eu li o Fim, da Fernanda Torres, e fiquei impressionada como esta mulher é sensacional. Não basta ser uma grande atriz, não basta ter dado vida à fabulosa Vani, tem que escrever bem também? Devorei o livro em alguns dias e, quando vi que ela tinha um outro de crônicas, coloquei logo na minha lista de leitura. Aproveitei os festejos e pedi de amigo oculto. (Obrigada, Gi!)

Sete Anos é um livro de crônicas selecionadas que a Fernanda escreveu para a Folha de S. Paulo, para a Veja para a Piauí. Foram sete anos de escrita. E o que ela escreve se encaixa perfeitamente na definição do dicionário, já que eu li um texto sobre a gravação de um filme no meio do mato, as várias idas da atriz a museus do mundo inteiro, sobre filmes que eu nunca ouvi falar com uma empolgação que eu sei que só foi gerada pelo modo que foi escrito. A crônica que ela escreveu sobre a entrevista da Dilma, durante o período das eleições, no Jornal Nacional em 2010 retratou tão bem a entrevista de 2014 que eu tive que conferir a data algumas vezes. Conta histórias de sucesso mas fala das vaias, das próprias inseguranças, confessa pensamentos que me fizeram ter aquela sensação de intimidade com o autor.

Fernanda, filha da Montenegro, conta histórias com Caetano, com João Ubaldo Ribeiro, com Nelson Rodrigues, com Dercy Gonçalves. Tudo gente de casa. Imagina ter Nelson Rodrigues como "gente de casa". Ela confessa que deve a escrita a João Ubaldo e fez todo sentido ela escrever tão bem.

Indico o livro para quem gosta de Fernanda, que quer ter um gostinho a mais sobre a vida dela, como filhos, pais, viagens. Indico para quem quer saber um pouco mais sobre teatro e cinema. Eu li de cabo a rabo por causa do desafio, mas você pode ler na ordem que quiser. Indico para quem gosta de escrever e quer se inspirar.



Fernanda, deixa eu ser sua amiga, cara. Me liga, me manda um telegrama. Quero ser que nem você um dia.

Pegou o bonde andando e não sabe o que é o Desafio Literário? Lê aqui, ó:

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