sábado, 27 de dezembro de 2014

# amizade # bebedeiras

2014: O que eu bebi por você



2014, você testou a minha paciência até o limite. A sanidade mental também. Mas, na conta final, a gente se deu bem.

Quando se entra o ano trabalhando, com uma pequena pausa para os fogos e a ceia, não tem como não imaginar que os outros 364 dias vão ser uma bosta também. Quando você, 2014, complicou aquilo que já estava complicado eu quis te dizer: para que tá feio. Confesso que tive vontade de bater a cabeça na parede, de puxar os cabelos, de dar uns gritos.

Você foi o 26º ano da minha existência e, como diria Clarice Falcão, o que eu bebi por você nunca artista bebeu, nem pirata bebeu. A economia local foi aquecida por todas as bebidas que eu comprei, todos os Doritos com molho cheddar que eu devorei e todos os remédios para curar ressaca e trabalhar com o mínimo de dignidade que eu tomei. Até a livraria se beneficiou da minha fossa. O que eu comprei de livro pra me distrair e fazer companhia não foi brincadeira. A TIM deve ter dado pulinhos de alegria com aquele interurbano de 3 horas pra outra operadora que eu fiz por causa de DR. 

Este foi o ano em que eu comecei um relacionamento sério com a minha própria casa. Estamos maravilhosamente bem, mesmo com a louça acumulando ali na pia e eu fingindo que ela não existe. Meu sofá é maravilhoso, minha cama é maravilhosa, o catálogo do Netflix é maravilhoso, o videogame é maravilhoso. Se eu não tivesse que ir trabalhar pra pagar tudo isso, eu nem colocaria os pés na rua na maior parte do tempo.

Seguindo o ditado popular de que não se faz amigos bebendo leite, este foi um ano com saldo bastante positivo. Nunca antes na história desse país eu encontrei tantas pessoas divertidas e interessantes, muita gente fina elegante e sincera com habilidade pra dizer mais sim do que não. Encontrei amigas em lugares e situações inusitados. Além disso, continuo contabilizando os anos de amizade com os que eu conquistei nos anos anteriores. Eles me aguentam por livre e espontânea vontade, merecem muitas palmas e agradecimentos eternos. Felizmente outras pessoas que se faziam de amigas se mostraram apenas dementadores que vivem de sugar a felicidade alheia. Digo felizmente porque pude me afastar de quem tinha o melhor de mim, mas não dava nada em troca ou que tentou me fazer de trouxa. Se vocês querem tentar me fazer de trouxa, fiquem à vontade, mas pelo menos se esforcem. Eu não caio mais em qualquer papinho. Talvez elas nem tenham se dado conta que me perderam. Melhor assim.

2014, aparentemente, foi o ano em que eu virei adulta de verdade. Até prato pra ceia de Natal eu fiz.

Nessa virada de ano eu não tenho muitos pedidos a fazer enquanto como lentilha sem colocar os pés no chão. Pra 2015 eu me desejo sossego, as contas pagas em dia, menos decisões equivocadas e que eu possa cuidar de mim, no sentido mais amplo possível.

Ao porteiro do meu prédio que me viu chegar cambaleando várias vezes de manhã, aos vizinhos que me viram fazer a caminhada da derrota até a lixeira com os braços cheios de garrafas e latas vazias, às amigas preocupadas com a minha sanidade mental, eu aviso: tá tudo bem. Tá tudo ótimo, inclusive. Citando outro Falcão, agora eu só brindo à casa, brindo à vida, meus amores e minha família. 2014 e eu vamos terminar numa boa e começaremos 2015 muito bem, obrigada.

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