sexta-feira, 28 de novembro de 2014

# amizade # viagem

Diário de Viagem - Rio de Janeiro - As pessoas

Depois da análise dos Vinte e Seis, em que eu confessei que fazia 6 anos que eu não enterrava meus pés na areia da praia, e depois da história do Monociclo, que eu vi que já tava tão craque que podia andar de saia na bicicletinha, apenas com uma mão no guidon e a outra tampando a calcinha, tomei vergonha na cara e marquei a minha primeira viagem com a Alice. Se eu puder fazer um PS logo no início do texto eu diria que eu não tenho mais idade pra isso, pois estou cheia das dores no quadril de tanto carregar criança no colo, mala, andar e afins. Pelo menos a dor no quadril me faz esquecer a dor nas costas. Mas, voltando ao início, Rio de Janeiro, here we go.

Eu achei que já tinha sentido calor nessa vida. Até que cheguei ao Rio de Janeiro e vi água escorrendo pelo meio das minhas pernas. Podia ser xixi? Podia. Mas era suor mesmo. Me senti numa daquelas propagandas de cerveja em que a gota de suor vai contornando o corpo semi nu da modelo gostosa, mas sem a parte de estar seminua e sem a gostosa. Se as pessoas andassem nuas pela rua, eu não julgaria. Talvez até invejaria, porque apenas 2 horas depois de sair de casa eu já estava suando em bicas e fedendo.

Os biquínis das moças são minúsculos. Me senti usando uma calçola de vovó no meio de tantas bundas descobertas. E é um modelo democrático. Basta ter atitude. Mesmo que a barriga seja tão grande que cubra toda a parte da frente do modelito. As cariocas, aparentemente, tocam o foda-se para o que você está pensando delas.

Inclusive, por tocar esse foda-se é que elas não se importam se todo mundo dentro do ônibus está ouvindo você terminar com o namorado por telefone:

- VEM CÁ, VOCÊ ACHA QUE EU PRECISO DISSO? QUERO MAIS SABER DE VOCÊ NÃO! EU NÃO PERGUNTEI SE VOCÊ ACEITA, EU TÔ DIZENDO QUE ACABOU! E NÃO ME LIGA MAIS, FILHO DA PUTA!

Vocês me desculpem, mas é difícil não ouvir a conversa alheia, principalmente quando ela é tão interessante. E o transporte público parece ser o lugar em que as moças gostam de desabafar:

- Então, eu tô saindo com um cara muito gente boa. Um dia ele veio conversar comigo e contou que precisava ser sincero comigo porque não sabia que eu não gosto de mentira e não queria me magoar, que tava saindo com uma outra menina mas que não queria se afastar de mim. Poxa, olha como ele foi sincero! Se fosse qualquer um ficaria pegando as duas e não estaria nem aí. Mas esse não. Esse não é moleque, sabe. Deixou tudo bem claro. Inclusive me respeita pra caramba porque não aparece com a outra na minha frente.

[a parte ruim de ouvir conversa alheia é não poder dar palpite e avisar pra moça que, nesse caso, a outra é ela]

Deus conserve a beleza dos recursos humanos desta cidade. Me apaixonei algumas vezes só andando pelo calçadão de Copacabana. Me apaixonei até pelo Engraxate de Dummond. Carioca gosta de correr, né? E não só os sarados, os bonitos que parecem estar fazendo parte de uma cena perfeita de novela. Tem gente de toda cor, tem raça de toda fé, os grandes, os feios, os de roupa extravagante, os que correm como a Phoebe.

Motorista no Rio de Janeiro tem que ser ágil pra sobreviver. Suspeito que eles tenham um cronômetro nos carros pra conseguir disparar a buzina no milésimo de segundo após a abertura do sinal. Jesus amado, como buzinam. Motorista do Rio tem que saber também que, quando o Caxias passa, você simplesmente abre caminho, mesmo que você esteja certo, ou arrisca ficar sem um retrovisor. Ser motorista nessa que é chamada a Cidade Maravilhosa é aceitar que tudo é longe; e o que é perto, tem engarrafamento pra chegar. Tem também a junção das duas coisas. Deve ser por isso que eles aparentam ser tão impacientes.

Eu sei que não deveria, mas fazer graça com o sotaque dos cariocas é muito divertido. A impressão que eu tenho é que o carioquês dá muito mais trabalho de ser falado do que o português. Por exemplo: eu não me conformo como eles colocam letras onde não existem, tipo nascimento, que eles falam naiscimento. Gente, poxa vida, não compliquem aquilo que já é complicado. E o sotaque, em si, já prolonga as palavras mais do que o necessário, como a palavra mesmo, que se torna meeisshhhmo, ou nome da Alice, tão simples, que saiu Aliêceh.

Os problemas da cidade eu deixo por conta de quem mora lá, já que eu só comi, bebi, andei e sentei no banco do passageiro. Mas que faltou pastel na praia, ah, isso faltou.

Se quiser continuar lendo, tem a segunda parte aqui, ó

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