quarta-feira, 16 de abril de 2014

# amizade # relacionamentos

Que se chama: intimidade

- Uai, amor, você demorou.
- Tava fazendo cocô.

As relações, sejam elas com mozão, com migos ou com família, passam por situações em que você percebe que ali houve uma evolução no nível de intimidade. É quando numa situação que normalmente você ficaria chocada, horrorizada, até chateada, você respira fundo e simplesmente aceita. Ou mesmo nem respira. Só aceita, sem crise.

Situações como fazer xixi de porta aberta, usar o vaso enquanto a outra pessoa está tomando banho são ações que costumam subir o nível de intimidade entre os participantes. Diarreia na casa do ser amado que, em vez de risos ou preocupação com cheiros, é apenas preocupação com a saúde e tratada com naturalidade costuma subir uns pontos na cumplicidade também.

Tem aquela amizade que, de tão íntima, você tem quase certeza que casar com a pessoa pode ser uma ótima pedida, mesmo que não haja qualquer interesse sexual no meio. Tem aquela com que você compartilha tudo tão naturalmente que é quase uma vida só. Tipo receber mensagem da amiga minutos antes de entrar no motel com um #hojetem ou quando o amigo conta sobre o duplo twist carpado que conseguiu fazer certa vez, ou você contando que vai precisar de cadeiras de rodas amanhã. Ou ainda aquela amizade sincera o suficiente para te sacudir pelos ombros e dizer: "mulher, cê tá louca" e que dá abertura para dizer "é chifre mesmo, para de se enganar".

A parte boa da intimidade é não ter constrangimento no silêncio. E poder ficar chorando por algumas horas seguidas sem que haja críticas, mas também sem que se deixe afundar na tristeza depois de um certo tempo. É ter uma pessoa pra te dizer "vai ficar tudo bem" num dia e num outro é ela quem vai estar ao seu lado dizendo isso.

Tem outras situações em que a intimidade é tamanha que você já não sabe mais o que esperar e às vezes é pega de surpresa e pensa: intimidade é uma merda. Mas né não. Intimidade é divertidíssimo. De que outra forma você dividiria seus medos mais absurdos, suas conquistas pessoais, suas neuroses ou analisaria em que momento a linha da normalidade foi ultrapassada? Pra quem mais você pediria ajuda num stalk?

Não é pra qualquer pessoa que você conta sobre aquela fobia de cachorro, não é qualquer pessoa que vai um dia te salvar de um terrível labrador que insiste em querer fazer amizade com a pessoa portadora da fobia, sem fazer piada com a história.

Você não entrega o padrão de desbloqueio do celular para um conhecido qualquer. Pra mexer no celular exige realmente um grau elevado de confiança e intimidade. Mexer nas fotos é quase como olhar a pessoa nua. Por favor, não mexam nos celulares alheios se vocês não tem intimidade suficiente com o dono para isso.

É na intimidade que você pode respirar aliviado e mostrar quem você realmente é. Porque dá um trabalhão parecer normal o tempo todo.

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