domingo, 9 de março de 2014

# blogagem coletiva

Uma carta para meu eu de 10 anos atrás

Keka,

Você não vai acreditar, mas eu vim do futuro. Dez anos no futuro. Vim pra te deixar uns conselhos. Talvez você nem me ouça, mas você sabe que, sendo eu (e sendo você, que é a mesma coisa), vou acabar falando de qualquer forma. Pra começar, esse apelido que todo mundo usa pra te chamar e você não faz ideia do motivo das pessoas te chamarem assim, só vai ser usado pelas suas melhores amigas e pelos familiares. Eu ia colocar uma foto sua atual, mas você continua com a MESMA cara. E outra: conforme-se com os peitos pequenos que você tem. Eles não vão crescer.

Você não faz IDEIA de como a sua vida está completamente diferente da que você imagina agora. Você é jornalista. Não se mudou pra Nova York, não trabalha numa grande redação. Você é mãe. Juro, cara. É sério. Aconteceu há quase 4 anos. Eu sei, eu sei, você sempre foi a mais certinha, precavida e responsável, mas essas coisas acontecem. Acho que eu nem deveria ter te contado isso porque você vai ficar ansiosa e com mais medo ainda de vivenciar os momentos. Relaxa. Você já tem sua casa, seu carro, mas não tem um cachorro até hoje. Você e a Alice, sua filha, se dão super bem. Não precisa de dom pra ser mãe, precisa se esforçar pra fazer as coisas direito.

Garota, você ainda vai sofrer muito por amor. Você acredita demais nas pessoas. O cara que trai uma vez, trai duas três quatro na sua frente, pelas costas, pela internet, na própria casa, na casa do primo, no trabalho. (infelizmente eu não tô exagerando). Quando o cara disser que você nunca vai encontrar alguém como ele (você vai ouvir isso mais do que deveria), acredite. E erga as mãos para os céus e diga "Amém!" Você não precisa de migalhas, o mundo tá cheio de gente legal. Hoje você tem uma dificuldade absurda em acreditar que os caras que você se envolve serão fieis. Você vai estar cercada de maus exemplos, mas poderia não surtar tanto com isso. Até porque eu já te ensinei que você não precisa de migalhas. É só partir pra outra. Se você puder dar uma trabalhada nisso, vai me ajudar bastante por aqui.

Essa sua relação de amor e ódio com o cabelo vai passar. Eu sei que você passou a vida inteira escutando que cabelo armado é feio, que o seu cabelo dá trabalho, que tem que deixar ele grande pra não ficar volumoso, dizendo que você fica mais bonita de cabelo preso ou que deveria escovar sempre. Desapega. Ele mais curto fica lindo, você vai ver. Vai valorizar ainda mais os seus cachos. E para de deixar as outras pessoas mandarem no seu cabelo. Ele é seu e ter um cabelo como o seu é pra se orgulhar, e não esconder.

A internet daqui é demais. Não precisa esperar dar meia noite pra entrar. Ela é mais rápida. Dá pra acessar até do celular. Você ainda não tem um agora, mas vai ter vários. A sua vida vai, praticamente, se concentrar na internet. Ela não serve mais só pra baixar música e entrar no chat do UOL e do Terra. Ela vai ser a base do seu trabalho. Continue assim, curiosa. É através da internet que você vai conhecer várias pessoas, manter contato com pessoas queridas e ter o seu blog. Até que as pessoas gostam bastante do que você escreve. Continue lendo bastante e prestando atenção nas aulas de português. Se você, por acaso, fizer a mesma viagem no tempo que eu e voltar uns 5 anos no nosso passado, não deixa que eu (ou você, ou ela, sei lá, já tô confusa) rasgue todos os diários. Deve ser divertido ler eles atualmente. Se você encontrasse os carinhas que você gostou naquela época, ia dar muita risada de como eles estão hoje.

Nem todas as pessoas que te juram amizade eterna estão com você agora. Muitos caminhos se desencontraram. Às vezes nem é de propósito. Mas sim, acontece. Com outras você vai conseguir estar sempre em contato, e a internet vai ajudar com isso. Você vai trocar as cartinhas por mensagens de texto, whatsapp, mensagem no Facebook. Algumas vão te abandonar, outras vão falar de você pelas costas, outras vão te invejar pelo que você conquistou. Continue assim, na sua. Você continua acreditando que a inveja é uma força destrutiva e compartilhando suas conquistas apenas com quem se importa de verdade.

Você vai odiar algumas pessoas, vai fazer coisas que sempre disse que não faria. Mas os princípios continuam firmes e fortes. Nada de coca cola no café da manhã, de balada durante a semana ou de traição. Você vai trabalhar, ganhar o seu dinheiro e perceber que, quanto mais dinheiro se tem, mais se tem com o que gastar. Você tem aí uns 5 ou 6 anos antes da Alice chegar. Larga de ser medrosa e vai viajar.

Você continua gostando de escrever. A prova disso, além da sua profissão, é como essa carta ficou enorme. Pra finalizar eu quero dizer, com muito orgulho, que você foi no show do É o Tchan no ano retrasado e ainda se lembra de todas as coreografias. No ano passado você foi no show do Molejo e foi sensacional.

Eu poderia dizer mais um monte de coisas que você poderia ou não fazer, mas hoje eu sei que tudo que você passou ajudou a construir a pessoa que eu sou hoje. Então segue em frente, você tá fazendo um bom trabalho.

Beijo,
Ericka

Este post faz parte de uma blogagem coletiva do Rotaroots. A ideia inicial surgiu no Hypeness e tem um monte de blogueiro soltando a imaginação com suas cartas também. Você pode acompanhar aqui, ó.
 Sigam-me os bons!
@erickacris e @eracilada

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