quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Escravos do Like

Internet faz parte da minha vida. Meu trabalho como jornalista depende da internet, meu lazer costuma envolver internet (mesmo que indiretamente às vezes), me relaciono com pessoas pela internet. Aprendi a usar computador aos 8 ou 9 anos, quando nem meus colegas de turma e nem minha professora tinham computador em casa. Tenho acesso à internet desde mil novecentos e lá vai bolinha, na época que o UOL, AOL, ZAZ (antigo Terra) e IG ofereciam um mês grátis de provedor pra internet discada, em CD. Até email no BOL e no Zipmail eu tinha.

Mesmo com esse histórico, tem uma coisa que me intriga (e me irrita, também). Internet no celular. Mais precisamente, a necessidade de estar olhando a todo tempo pra tela esperando um joinha de alguém em alguma rede social. Esse é um dos motivos de eu não ter internet no celular: eu já uso internet pra tanta coisa que, quando eu tô fora dela, eu quero aproveitar o que a "vida real" tem pra oferecer. O outro motivo é que o 3G da Tim é inútil. Mas esse motivo não vem ao caso.

Mas aí, chego em restaurantes e vejo uma multidão fazendo uso (que eu considero) muito equivocado da ferramenta. Pessoas sentadas na mesma mesa sem qualquer interesse uma nas outras porque estão fazendo o que? Isso mesmo, atualizando seu status sobre o restaurante foda em que estão, ou sobre os amigos que são os melhores, ou como a comida é maravilhosa. Estão mais preocupadas em tirar fotos dos seus pratos, das suas taças e esperando os likes do que aproveitando a companhia. Chego num show e vejo várias pessoas olhando a timeline do Facebook. (acompanha o meu raciocínio: a pessoa se arruma, sai de casa, paga pra entrar no local da festa e fazer o que? Exatamente aquilo que poderia estar fazendo em casa, de pijama, sem gastar nada). Já presenciei um incrível grupo de pessoas em que nada era verbalizado, mas de vez em quando riam ao mesmo tempo. Elas estavam conversando pelo Whatsapp!




Mesmo com essa birra, eu estou aprendendo que é normal postar fotos dos eventos, registrar um encontro, fazer check-in em alguns lugares (casa e trabalho eu ainda não me conformo). Mas, é mesmo necessário passar a noite toda esperando pelos likes? Afinal, a intenção é registrar um momento ou esperar a aprovação dos seus amigos (que não estão presentes) pra saber se aquilo ali é algo bom? Seria a vida mais interessante de ser vivida pela tela do computador ou do celular? Mesmo sendo heavy user de internet, redes sociais e computador, eu digo: não. (e isso é uma dica pra mim também, já que vivo com a cara no computador)

Uma das lições que eu aprendi enquanto atacava de fotógrafa e vendo meus amigos fotógrafos (que não atacam, trabalham de verdade) é que existem duas maneiras de participar de um evento: registrando ou aproveitando. Não dá pra fazer as duas coisas bem, ao mesmo tempo. E tem aquele outro que eu aprendi na internet mesmo: vida é o que acontece enquanto você está olhando pra tela do seu celular.
"O que ferramentas como Twitter e Instagram fazem é o que os psicólogos chamam de reforço intermitente. É como um jogo de azar. Vencer é o like, que vem de maneira randômica. Continuo jogando roleta porque a próxima rodada pode me fazer ganhar. Continuo postando pra ver se vem um prêmio. Pessoas que não podem deixar seus telefones de lado têm um problema psicológico."

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