terça-feira, 10 de dezembro de 2013

# livros

#Bookdodia - Dom Casmurro

Eu sempre gostei das aulas de Português na escola. Principalmente das aulas de redação e das de literatura. A parte da redação foi a que me incentivou a ser o que sou hoje. A de literatura eu gostava de graça mesmo. Adorava acompanhar os movimentos literários, tirava ótimas notas nas provas. Mas, o que eu percebo hoje, é que eu não fazia ideia do que estava lendo. Lia livros que iam cair na prova, fazia resumos, decorava datas de movimentos. A memória era rotativa, um livro saía e outro entrava, de acordo com a próxima prova.

E, com tantos livros de leitura obrigatória porque eram "clássicos", percebi também que faltou muita maturidade para entende-los de verdade. Faz pouco tempo, por exemplo, que deixei de detestar Clarice Lispector, pela experiência horrorosa que tive na época de escola. Semana passada eu li novamente Dom Casmurro, do Machado de Assis, e parecia um livro completamente novo pra mim. E ótimo.

Aquele cara com uma barba respeitosa e título de um dos maiores escritores brasileiros que já existiu, tão distante, tão clássico, tão obrigação de escola, de repente, se tornou um cara engraçado, divertido, inteligente, que, se tivesse um blog hoje, seria um sucesso. Virou o Machadão.



Li Machadão e me diverti. Às vezes precisava estudar e ficava na dúvida entre ler o artigo que eu precisava, ou voltar para Bentinho e Capitu. Li Machadão e, quando encontrava trechos que eu julgava maravillhosos, eu pensava: é claro que eu não ia entender isso na época escola (principalmente se o livro fosse lido na véspera da prova).

Ele conversa, ele para a narrativa pra contar uma história que ele "esqueceu" de contar antes. Coloca uma história no meio de outras porque daria muito trabalho e custo renumerar as páginas. Faz referência ao que ele contou anteriormente de um modo engraçadinho. Escreve de um jeito manso e fluido, como se ele estivesse contando uma história ao vivo e eu estava ali, na frente dele, boquiaberta, esperando ele terminar e, ao mesmo tempo, torcendo infantilmente para que a história não acabasse.

Para quem não conhece a história, o livro é um relato das lembranças de Bento, o Dom Casmurro, sua infância, sua relação com Capitu, adolescência e vida adulta. Como narrador-personagem, Bentinho vai e volta em suas lembranças, confessa pensamentos ao leitor, dá dicas e conselhos. A relação com Capitu é, desde a infância, um amor bonito, simples, sincero. Duas pessoas que se amam e fariam de tudo pra fazer o outro feliz. Depois de ficar atormentada com o final de A Piada Mortal (fez ou não fez? matou ou não matou?), relembro que Machadão já havia usado esse mesmo recurso, porém, 99 anos antes. (traiu, não traiu?).

Machadão me ganhou. E ele me incentivou a pensar em como a escola tem perdido muitas oportunidades em explorar o conhecimento das jovens mentes inquietas. Entender hoje algo que havia lido 10 anos antes é um desperdício danado de tempo. Machadão me fez pensar muito em Capitu também. Mas isso são cenas do próximo capítulo. E que venha a releitura dos outros clássicos! Me aguarde, Clarice.

E se você quiser, tem Machado de Assis de graça na Amazon e na Iba Ebooks. ;)

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