sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A cada 4 minutos uma mulher é vítima de violência no Brasil

Este dado apresentado no título do post é um dos mais impactantes da pesquisa sobre Percepções dos homens sobre a violência doméstica contra a mulher, feita pelo Instituto Avon. A pesquisa, que iniciou sua série em 2008 e está na 3ª edição, utilizou entrevistas com pessoas especializadas na área, questionário respondido por 1500 pessoas, além de entrevista com 6 homens que declararam já ter agredido uma mulher.
 
Mas, uma pesquisa sobre violência doméstica feita... com homens? Sim. Por que? Porque é necessário saber quais questões precisam ser debatidas, para que haja um combate efetivo da violência doméstica e para conhecer melhor o contexto da violência dentro das relações.

 
 
Alguns dados:
 
56% dos homens entrevistados admitiram já ter agredido a companheira de alguma forma (xingamento, humilhação em público, ameaça, tapa, soco, arremesso de objeto, ameaça com arma, obrigar a fazer sexo sem que ela tenha vontade) [humilhação em público é agressão!]
 
37% dos homens acham que, por causa da lei Maria da Penha, eles são mais desrespeitados pela companheira. [esse é o homem de sentindo acuado porque a mulher tem mecanismos para se defender e não ficar mais calada]
 
81% dos homens são a favor de que a lei Maria da Penha seja usada para proteger também homens que são agredidos por mulheres. [35% dos homens disseram desconhecer a Maria da Penha, mas, diante de uma declaração dessas, percebe-se que ó índice deve ser bem maior]
 
75% dos homens apanharam de um adulto (pai ou mãe) quando criança.
 
85% dos homens considera inaceitável que uma mulher fique bêbada; 69% que saia com amigos e amigas sem o companheiro; 49% que use roupas coladas ou decotadas [MAS GENTE?]
 
89% dos homens acham inaceitável que a mulher não mantenha a casa em ordem [?????]
 
72% dos homens dizem que fariam tudo para o casamento salvar o casamento. Porém, 53% considera que a mulher é a principal responsável por manter um bom casamento.
 
36% dos homens acreditam que a mulher não deve chamar a polícia em caso de agressão; a melhor alternativa é a conversa.
 
Agora, algumas estatísticas de outros estudos compiladas:
 
70% das mulheres sofrem violência ao longo da vida;
 
Mais de 13 milhões de brasileiras já sofreram algum tipo de agressão; 31% delas ainda convive com o agressor;
 
Você pode conferir o resultado da pesquisa aqui, que contém vários outros dados e as referências. No Dia Internacional da Mulher desse ano eu também escrevi sobre violência contra a mulher. Lá também tem outros links e estatísticas que ajudam a compor este quadro horroroso.
 
Uma das coisas que me deixou intrigada foi o fato de o homem, em pleno ano de 2013, ainda considerar a mulher como uma posse dele, um objeto. Como assim mulher não pode ficar bêbada? Sair de casa sem o companheiro, então, nem pensar? Mulher não é objeto, que você pode usar quando quiser e, quando não estiver afim, guardar dentro de casa.
 
Olha, 13 milhões de pessoas não é pouca coisa, viu. É como se toda a população de Mali, ou todos os moradores da Bahia tivessem sofrido alguma agressão.
 
E o estereótipo de que "lugar de mulher é na cozinha" continua sendo propagado? Não é piada, é estatística, é estudo. O cara que diz que lugar de mulher na cozinha pode ser o mesmo cara que impede que a mulher saia de casa, que também é um tipo de violência. Pode ser o cara que agride fisicamente uma mulher por um motivo qualquer. Lugar de mulher é onde ela quiser estar.

E antes que algum homem use o argumento: "EU NÃO SOU ASSIM!" para invalidar o estudo, eu já digo: ok, fera. Siga sua vida sendo assim, não é mais que sua obrigação como ser humano. E se você acha que porque nunca viu, não acontece ao seu redor, tá na hora de sair um pouco da própria toca, não é mesmo?
 
E pra você que acha que a Maria da Penha deveria proteger os homens: você não entende nada de Maria da Penha. Uma lei dessas não é um privilégio. É uma tentativa (sim, porque a lei existe mas o cumprimento ainda é falho) de diminuir as diferenças de gênero na sociedade. Enquanto existir homens que se acham superior às mulheres, que acham que tem o direito de agredir de qualquer forma uma mulher, a Maria da Penha ainda vai ter razão de existir, as políticas públicas voltadas para mulheres ainda vão ter razão de existir, qualquer manifestação e movimento que lute pela igualdade de gênero ainda vai ter razão de existir.

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