segunda-feira, 21 de outubro de 2013

# ser mãe

A saga do desfralde

Tirar a fralda da Alice foi um momento importante não só pra ela, mas também pra mim por vários motivos. Não dá pra negar que o momento em que se para de gastar cento e tantos (que já foi duzentos e tantos - recomendadíssimo um chá de fralda.) reais por mês em fralda é bastante aguardado. Além disso, ô troço chato é trocar fralda. Principalmente se for de cocô. Mais ainda se estiver na rua. E se tiver vazado da fralda. E se... bom, vocês me entenderam. Além disso, eu já havia levado uma bronca da pediatra, dizendo que eu estava demorando demais. Mas o desfralde é um processo que depende mais da vontade da criança em questão do que de quem tem interesse direto nisso (eu, no caso). E vocês já devem saber que, de vontades, a Alice é cheia.
258/366 - 12 September: Potty training
Ella e Annie (o ursinho) Fonte: Creative Commons
Primeiro passo rumo ao desfralde: o penico. Vou confessar que eu morro de nojo de penico, então fiquei até aliviada de esse passo ter falhado miseravelmente. Ela curtia fazer o xixi e o cocô normalmente na fralda e depois passar um tempo sentada no penico apreciando a paisagem, pensando na vida. Mal sabia ela que era possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo, sentada no dito cujo. Virou brinquedo.

Mais tarde, o segundo passo foi o assento pro vaso sanitário. Ele serve, basicamente, pra criança não cair no buraco do vaso. No começo ela até gostou, mas usou de verdade pouquíssimas vezes. Foda era esquecer o assento dela lá e depois chegar no banheiro apertadíssima e ainda ter que se concentrar pra tirar ele antes de usar.

Depois dessas tentativas eu achei que ela não estava preparada ainda. Só que chega um momento em que fralda nenhuma segura. E foi aí que eu perdi a paciência e avisei pra ela:

- A partir de hoje você é uma mocinha e não vai mais usar fralda.
- E como eu vou fazer xixi?, perguntou a recém-nomeada
- No vaso.
- Quero minha fralda.

Essa menina tem querer demais.

Passamos (no plural porque foi um trabalho conjunto entre eu, minha mãe e a babá dela) a deixá-la sem fralda. Mas ela não fazia xixi.

- Alice, quer fazer xixi?
- Só vou fazer quando você colocar a minha fralda.

Garota de palavra. Passava horas e horas sem fazer xixi, mas era só colocar a fralda que ela fazia, numa boa.

Percebendo que a batalha não seria fácil, resolvi me informar melhor. Comprei uma revista que ensinava a "tirar a fralda do bebê, sem traumas". Opa, era isso mesmo que eu queria. Cheguei em casa, deixei a revista em cima da cama e ela escorregou pro chão. Volto 5 minutos depois e vejo Alice, em pé, em cima da revista e a revista toda mijada. Ficou me olhando com a maior cara de pau do mundo. Tenho que admitir que ela soube dar o recado dela.

Foram vários dias de conversas, de historinhas, de brincadeiras, de promessas de presentes e chantagens (errado, eu sei. tática desesperada) pra que ela usasse o temido vaso e nada adiantou. Até que um dia ela resolveu que ia fazer. Pediu pra ir ao banheiro e fez. Simples assim. Como eu disse, ela é cheia de vontades, tem querer demais.

Decretado o período sem fralda, Alice passou a um outro nível de dependência. Se antes eu precisava trocar a fralda dela, agora eu teria que levá-la ao banheiro. Na hora que ela pedisse. Não importando o que eu estivesse fazendo. Inclusive se eu mesma estivesse fazendo xixi.

Nesses momentos a criança tá aprendendo quando está com vontade de ir e quando não está. Mas às vezes demora a interpretar aquela sensação. Como na vez em que ela entrou no meu guarda-roupa pra brincar e, de repente, abriu a porta desesperada, enquanto o xixi escorria pelas perninhas e molhava as minhas roupas que estavam jogadas lá dentro:

- Mamãe, me ajuda, eu não consigo parar de fazer xixi!

E aí lá vou eu (lá vou eu) treinar minha paciência não mais pra trocar fralda, mas pra secar o chão e lavar roupas com mais frequência. Porque o xixi ainda é mais fácil. Mas putz, cocô na roupa era uma coisa que realmente me tirava do sério. Aconteceram poucas vezes. O suficiente, eu acho. Amém.

Três meses depois eu considero como vencida a saga do desfralde. Ela não usa fralda pra dormir, não faz mais xixi na roupa, porque, de acordo com a própria Alice, "não pode fazer xixi na calcinha". Cocô é no vaso. De vez em quando é até comemorado por ela. Teve um dia que ela chamou meu pai pra ver o tamanho do "cocozão" que ela havia produzido. Inclusive, ela já tem noção de privacidade, já que não admite porta aberta enquanto ela está no banheiro.

Fase da fralda ultrapassada, quando é mesmo a fase que ela vai parar de me questionar? É o que? Nunca? Putz.

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