segunda-feira, 15 de julho de 2013

Pérolas da clientela

Você está lá no seu trabalho, seja ele vender roupa, livros, tratar um paciente, ou qualquer outro que exija que você saia da frente do computador e lide com pessoas, e ouve uma cantada, um desaforo, uma bizarrice ou até um pedido de casamento. Podia ser um roteiro de ficção, mas acontece em qualquer estabelecimento, com qualquer trabalhador. Seria trágico se não fosse cômico. Ou seria cômico se não fosse trágico?



Sou legal, não estou dando mole

Um adolescente aparece precisando de atendimento, eu ocupada, peço a um colega que o atenda, mas ele disse que queria aguardar e ser atendido por mim. Estranho, mas ok. Ele me pede indicações de livros e lá vou eu, depois de ter falado a respeito de uns 5 livros diferentes e ele não ter prestado a atenção em nada, vou finalizando o atendimento de forma sutil, ai começa uma parte estranha:
- Você tem namorado? 
- Sim, eu tenho. [Mentira, na época eu não pegava nem gripe, o que dirá gente]
- Hum! Ele é escritor? 
- Não, ele não é. 
- Mas você trabalha em uma livraria, você deve gostar de escritores.
- Gosto dos escritores, mas meu namorado não é. Você precisa de mais alguma ajuda, preciso ir até ali resolver uma coisinha (eu queria ligar para os seguranças da loja, tava muito estranho) 
- Não, espera! Você sabia que em breve eu serei escritor, ai você podia começar a namorar comigo, né?
[Estávamos em um daqueles pontos cegos da loja, que as câmeras não pegavam, quando me dei conta disso, fiquei realmente preocupada]
- Quando você for escritor, eu te ajudo a vender seus livros aqui na livraria, combinado? Mas não posso te namorar porque eu já tenho namorado. Mas não quero mais falar disso, vamos falar dos livros...
- Vou procurar seu namorado e dizer pra ele parar de gostar de você, porque eu vou ser escritor e você vai ser a minha namorada que me ajudará a vender meus livros (ele tentou pegar meu braço)
Saí correndo para um terminal e liguei para a segurança, e disse ao cliente que eu não poderia mais atende-lo porque tinha dado a hora do meu almoço. Eles me disseram depois que esse cliente já quis namorar todas as meninas da loja e que já conheciam o figura.

Em briga de marido e mulher...

Cliente e sua esposa entram na loja. E a pergunta clássica:
- Você trabalha aqui?
[não, moço, é que eu tenho TOC e não aguento ver coisas  fora do lugar] - Sim, precisa de ajuda?
- Não, mas é bom te ver trabalhando aqui. [oi?]
Ele passa alguns segundos em silêncio enquanto eu me afasto estrategicamente do cliente. Eis que ele grita:
- Ô, benzinho!
E a esposa responde:
- Oi, meu amor!
Esposo responde:
- Não... eu estava falando com a vendedora...
[vendedora arregala os olhos e para em choque]. E ele continua:
- Sabe como é que é, né. Ela é benzinho porque é pequena. Você é meu benzão.
Eis que a esposa fecha com chave de ouro:
- Tá me chamando de gorda??
[vendedora sai do recinto e deixa os pombinhos a sós, discutindo a relação]

A fada do dente

Enquanto atendo um cliente, vejo que tem uma outra cliente esperando atendimento. Eu sorrio pra ela e peço para que ela espere um minuto enquanto termino o primeiro atendimento. Ela espera, sem problemas. Terminado o atendimento, a surpresa. Ela, que estava com a mão na boca, diz:

- Moça, você pode me ajudar a encontrar meu dente?
- Desculpa, acho que não entendi.
- É, meu dente, olha. [tira a mão da boca e mostra o buraco do dente]. Ele caiu por aqui e eu não acho de jeito nenhum. Moça, ele custa 4 mil reais, não posso perder!
- Com uma ligeira ânsia de vômito, respiro fundo, me abaixo e começo a procurar, fazendo uma única oração: Deus, não me deixe tocar nesse dente.
Começo a mexer nas coisas esperando ouvir o barulho do dente. A tática deu certo.
- Olha, seu dente tá ali.
A cliente catou o dente, e banguela, sorriu, feliz.
- Moça, você salvou a minha vida.
[E mais um cliente saiu satisfeito].

Não conta lá em casa

Atendo uma jovem procurando livros que retratassem a sexualidade, que fossem eróticos, mas que fossem mais bem escritos que Cinquenta tons de cinza. Eu, com meu vasto conhecimento de putaria, indiquei "A Casa dos Budas ditosos" e algum outro que não me recordo. Procurei também por "Cem escovadas antes de ir para a cama" mas não achei. Minutos depois, eu encontro o tal livro citado num balcão aleatório. Como bom vendedor que era, procurei a jovem cliente para oferecer mais uma opção. Ela esta indo na direção do caixa, eu a abordo e digo:
- Olha, achei aquele outro que tinha te falado.
Ela me responde: 
- Poxa, obrigado mas vou levar só esse mesmo (Casa dos budas ditosos). Quem vai pagar é minha mãe e ela não sabe que eu sou ninfomaníaca."

Sem preconceitos

Um senhor veio ao caixa e ia pagar umas contas. Estava digitando a senha e um senhor apareceu atrás. De onde este outro senhor estava, dava pra ver a senha do que estava na frente. Então, eu perguntei:
- Vocês estão juntos?
O senhor que digitava a senha olhou ora trás, olhou pra mim e disse:
- Não, a gente só ta ficando.
Riram até. Depois ele confessou que era o primo dele.  

Pesquisa

Em uma livraria:
- Moço, você pode fazer uma pesquisa pra mim?
- Claro, do que você precisa?
- Vê pra mim o horário do cinema?

Pesquisa II

Em uma livraria A:
- Esse livro nós não temos em estoque no momento, mas podemos encomendar com a editora, se quiser.
- Poxa, mas eu precisava pra hoje...
- Lá na Livraria B deve ter.
- Ah, que ótimo! Liga lá pra mim e encomenda que eu tô indo lá buscar.

Olha a intimidade


Outro dia estava atendendo uma grávida e ela perguntando seu tinha namorada e tal. Eu pensando assim: Gente, a gravida ta dando em cima de mim? Falei que tinha só pra parar de se oferecer. Ai ela diz: 
- Que pena. Ia te apresentar minha amiga. Você é a cara do ex dela.

Menor aprendiz

Cliente olha pra minha cara, pra minha camiseta do Pato Donald e solta:
- Nossa, que legal eles contratarem menor de idade pra trabalhar aqui, muito boa essa oportunidade. Tem que começar a trabalhar desde cedo mesmo, aprender o valor do dinheiro. Do trabalho. Que bom que você já está empenhada assim desde novinha, minha filha. Quantos anos você tem?
- 24.
[silêncio]

Uso doença como desculpa pra fazer o que dá na telha


"Um belo dia estava eu, guardando minha pilha de DVDS, com uma colega do lado. Eis que chega uma mulher, já coroa, com seus 50 anos, talvez um pouco menos. Ela, bem descontraída, me pede todos os filmes do STEVEN SEAGAL. Porque, pra ela, "Aquilo sim eh homem de verdade". Eu pesquiso e vejo que tínhamos 12 filmes dele em loja. Eu busco todos. Enquanto busco os filmes, ela começa a me perguntar e pra minha colega se eu era gay. Tranquilamente nego. A colega faz o mesmo. Ela até diz:
- Não, ele é noivo, não é gay não.
Após entregar todos os filmes pra ela e ela ficar me elogiando, que eu era isso, que eu era aquilo, ela me tasca um beijo na boca e vai pro caixa. A colega ri, olha pra mim e diz:
- Ela é bipolar. [ e por isso tá autorizada a beijar qualquer um pela rua?]  


Trabalhar com pessoas é esse mundo de possibilidades e bizarrices. Você, que em algum momento vai ocupar o papel do cliente, evite dar em cima da pessoa que está trabalhando. É o local de trabalho dela, você pode prejudicá-la de alguma forma. E você pode assustá-la. Pode ser um constrangimento e um assédio desnecessário. A conversa tá liberada, mas vamos, por favor, manter o nível de sanidade. As pessoas que trabalham prestando algum tipo de serviço que você vai utilizar são empregados da empresa, e não suas escravas. Que prevaleça o bom senso e a educação. Sempre. :)

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