quinta-feira, 4 de julho de 2013

#Bookdodia - Cem anos de solidão

Tenho uma relação muito estranha com meus livros. Aqueles que eu gosto, indico, gosto de conversar sobre. Mas não empresto. É um sentimento de compartilhar uma boa leitura sem compartilhar o meu livro. Convenhamos que não é tão estranha assim se você pensar que dificilmente as pessoas vão cuidar do seu livro tão bem quanto você. E ainda existe a possibilidade de ele não ser devolvido. Por isso, vou compartilhar aqui uma ótima leitura mas ó, vocês que se virem pra encontrar os seus (mentira, eu vou deixar uns links no fim dos texto pra vocês).

Quando trabalhava numa livraria, me deparei com esse livro, o tal do Cem Anos de Solidão, do Gabriel Garcia Márquez. Nunca tinha lido nada dele, mas sabia que o livro era considerado um clássico da literatura latino-americana e que o autor já ganhou um Nobel de Literatura. E foi com essa linha de raciocínio que puxei o meu exemplar da prateleira: é um clássico, vou ter que ler.

A capa do livro, aparentemente, não diz nada. E eu, preconceituosamente, tentando analisar o título, fiquei imaginando que as 400 e tantas páginas do livro seriam as memórias de um velho solitário. Não. Nada a ver. A primeira página do livro começa com uma árvore genealógica e eu pensei: deve ser uma bagunça essa história, mas que bom que ele tentou orientar de alguma forma. Acho que eu nunca peguei um livro tão cheia de ideias pré-concebidas e quebrei a cara depois.

A história contada é sobre a Família Buendía, que vivia numa aldeia chamada Macondo. Garcia Márquez utilizou o realismo fantástico como base de sua obra, que consiste em trazer fatos irreais, absurdos e até mágicos para um contexto cotidiano. Em Cem Anos de Solidão, as coisas ainda não tem nome, há chuvas que demoram anos para passar, pessoas que vivem muito (muito mesmo) tempo, a morte e o demônio com presença física na Terra, expedições homéricas, cidades inteiras que perdem a memória e muitas outras coisas que, por mais absurdas que sejam, não tiram o mérito da história. Pelo contrário. Esse lindo do Garcia Márquez nos convida pra embarcar nessa história e nos seduz de forma tão sutil que, de repente, você acha super normal que um homem atraia para si um bando de borboletas.

O autor se aprofunda também na descrição de personagens, cenários e situações. Acho que é a parte que cativa sem que você perceba. Você conhece tão afundo a família Buendía que se sente integrante, consegue imaginar as ruas que eles percorrem, a casa abandonada da mulher que não vê a luz do dia há anos, sente a dor de cada familiar. A magia não está apenas no que é contado. Está nas palavras de Garcia Márquez. São palavras mágicas.

Eu comecei a ler achando tudo tão absurdo e, quando percebi, já não conseguia parar porque precisava saber o que vinha a seguir. Enquanto trabalhava, dava uma lida nas páginas do livro disponível na prateleira, na hora do almoço comia enquanto lia, no caminho pro metrô eu ia lia enquanto andava, esperando o metrô eu lia, dentro do metrô eu lia e foi assim até que cheguei na última página e tive um puta mind fuck e depois fiquei um tempo estática, pensando em como ele havia conseguido ser tão genial. Mereceu o Nobel, sem dúvidas.

Não se deixem assustar pela opinião dos italianos. Não vai ser a leitura mais fácil que você já encontrou, mas daí dizer que é impossível já é exagero. É um livro sensacional e que você precisa prestar atenção no que lê. De vez em quando você precisará voltar alguns parágrafos pra entender algum acontecimento. Normal. Até lendo quadrinho você precisa fazer isso de vez em quando, não precisa se assustar.

E o que a gente aprende? Que a solidão faz parte de todo ser humano.

Aí quando eu acho que eu sou fã de um livro, eu descubro uma pessoa que é mais fãs ainda e fez TATUAGEM de Cem Anos de Solidão. <3

não falei que chovia muito?
Gabriel Garcia Márquez nasceu na Colômbia, em 1927 além de escritor, foi jornalista também (ó o orgulho da profissão). Hoje em dia já não escreve mais, pois tem uma doença chamada demência senil, que prejudica a sua memória, linguagem e o pensamento. :(

E, como eu não vou emprestar o meu exemplar, você pode encontrar o seu aqui, ó:





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