sábado, 20 de julho de 2013

#Bookdodia - Grito de guerra da mãe-tigre

Quando puxei o livro Grito de guerra da mãe-tigre da prateleira e levei pra casa foi com um sentimento de que seria algo parecido com auto-ajuda. Mesmo que não levasse ao pé da letra uma mãe americana e seus ensinamentos chineses, pensei que, em algo, ele me seria esclarecedor. E foi.

Amy Chua, a autora do livro, é professora titular de Direito em Yale, publica artigos no New York Times, no Washington Post, no Financial Times, na revista Harvard Business Review e Wilson Quartely. O #bookdodia de hoje é o seu 3º livro. É casada e mãe de duas meninas, Sophia e Lulu.

Com a premissa de que queria fazer o melhor para as suas filhas, decidiu que educaria Sophia e Lulu, nascidas nos Estados Unidos, do jeito chinês. Colocaria em prática todos os ensinamentos de uma mãe-tigre, pois acreditava que o modo ocidental de criar os filhos para fazer o que amam e respeitar a individualidade não prepararia, de fato, as filhas para o futuro.

Sendo, assim, Amy utilizou os sete pilares de como ser uma mãe-tigre.

1. os deveres escolares são sempre prioritários;
2. um A- é uma nota ruim;
3. seus filhos devem estar dois anos à frente dos colegas de turma em matemática;
4. os filhos jamais devem ser elogiados em público;
5. se seu filho algum dia discordar de um professor ou treinador, sempre tome o partido do professor ou do treinador;
6. as únicas atividades que seus filhos deveriam ter permissão de praticar são aquelas em que pudessem ganhar uma medalha;
7. essa medalha deve ser de ouro

Deu pra perceber que não tem moleza nessa casa.

O livro é um relato sincero sobre como essa mãe tentou promover em suas filhas o melhor que elas poderiam ser. E elas poderiam ser as melhores. Sophie era mais obediente. Lulu foi quem deu trabalho e que participa dos relatos mais engraçados e desesperadores da educação das meninas. Ou do treinamento, se preferir.

O choque está no contraste entre a criação ocidental e oriental. Enquanto no Ocidente, a Supernanny ensina a incentivar e parabenizar todas as conquistas do seu filhos, no Oriente apenas o melhor é reconhecido. E, mesmo assim, não cumpriu mais do que a obrigação. Sim, ela é bem dura com as filhas. De vez em quando você tem vontade de dar uns sacodes nela e falar: MULHER, VOCÊ ENLOUQUECEU? E aí, quando você vê os resultados você pensa: mas pera... é assim que dá certo?

Sophie e Lulu faziam aulas de mandarim, raciocínio lógico e o estudo com seus instrumentos musicais duravam 3 horas por dia, além das sessões duplas nos fins de semana. Não podiam perder pontos-extra, mesmo que tivessem tirado notas máximas. Segundo lugar não era permitido, mesmo que num teste de multiplicação rápida. Amy exigia de suas filhas a perfeição em tudo que colocassem as mãos.

Em contrapartida, ela levava as filhas, o marido e até ela mesma a beira de um ataque de nervos. Diariamente. Esse era o preço que ela achava justo pagar. Não importava que as filhas dela a odiassem, contanto que tirassem o 1º lugar. "A solidão muitas vezes é o preço que o Tigre paga por sua posição de autoridade"", escreveu.

O livro foi bastante criticado por pais e educadores quando chegou ao Brasil. Eles argumentavam que esse método sufocava as crianças, que era extremamente maléfico, uma rigidez desnecessária e vários outros tópicos. Completamente insana, a Amy? Não. Quando eu estava na escola, em época de vestibular, eu sempre ouvia que, enquanto eu dormia, tinha um chinês estudando e que ele pegaria a minha vaga. Passar no vestibular (pra universidade pública) era o que eu queria, afinal. Não temos que lutar pelos nossos objetivos? Sophie e Lulu realmente alcançaram conquistas inimagináveis para crianças da idade delas. Mas, a que preço? Será que elas queriam ser as melhores?

Um livro para ser lido por pais e filhos. Pelos pais para mostrar que eles podem, sim, exigir e estimular seus filhos naquilo que eles têm potencial. Que você deve fazer parte da educação dos seus filhos (porque, mesmo com o currículo que eu citei ali em cima, Amy acompanhava TODAS as atividades das filhas), que não tem problema dizer "não". Aliás, você deve dizer não. Não crie um monstrinho pra sociedade lidar no futuro. E que os filhos tem vontades próprias. Você pode respeitá-las, mesmo que não concorde tanto. Para os filhos o livro mostra que, mesmo que você não entenda hoje todas as cobranças dos seus pais, elas vão fazer sentido algum dia e você vai entender que eles só queriam o seu melhor. E que você pode se esforçar pra conseguir o que quer. E que não vai morrer se ouvir um não.

Quem está errado, afinal? Não sei. O livro não é um manual de educação infantil. Chega a ser uma crítica não só ao modo extremamente permissivo ocidental, mas a ela mesma, até. Eu penso que a maior medalha que a minha filha pode obter é a felicidade. Mas você pode tirar as suas próprias conclusões. 






Grito de guerra da mãe-tigre na Saraiva, na Livraria da Folha, no Submarino e na Estante Virtual









sigam-me os bons! @erickacris

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