terça-feira, 4 de junho de 2013

A ditadura do comportamento feminino

2013 e ainda tem gente cagando regra de como mulher deve se comportar.


De um lado eu ouço: tem que ser meiga, submissa, não pode falar demais. Não pode mostrar demais. Tem que ser pra casar. Não pode dar no primeiro encontro. Não pode comer demais no primeiro encontro. Não pode falar palavrão, não pode jogar videogame porque não é coisa de menina. Que mulher tem que trabalhar pra comprar as suas "coisinhas" e não pagar as contas de casa. E se ganhar mais que ele? Não tem problema, desde que seja ele quem autorize os seus gastos.





E do outro: tem que ser forte, autossuficiente (ainda é assim que se escreve?),  trabalhar o dobro que os homens para mostrar que é capaz (e, mesmo assim, receber salários estatisticamente inferiores), cuidar da casa, cuidar dos filhos. Não pode pedir ajuda dos homens porque você é mulher e dá conta. Não pode, de jeito nenhum, querer ser dona de casa. Meninos não podem usar azul, meninas não podem usar rosa.



Ou ainda, uma vertente que vejo em algumas revistas femininas que pregam coisas como: "aprenda a enlouquecer o seu homem em 25 passos" mas não falam sobre satisfação pessoal, ou que mulher não pode ter pelo porque homem tem nojinho e, afinal, a sua vida se resume a agradar os homens. Não pode falar da carreira pra ele não se sentir inferiorizado. Seja uma mulher poderosa e atraia todos os olhares por onde você passa. Pra que mesmo? 

Enquanto essas pessoas entram em eternas discussões em que ninguém se escuta, lutam por causas que não merecem tanto ibope, eu penso: é sério isso? O tempo passa, o tempo voa e vocês continuam querendo ditar o comportamento feminino?






Eu vou ser o que eu quiser ser. Não vou brincar de ser bonequinha e fingir fragilidade pra alimentar o ego e a virilidade de alguém. A roupa que eu uso não é pretexto pra julgar o que eu sou. Seja um vestido sensual ou uma camiseta do Donald. Vou falar o que eu quiser. Mesmo que seja um palavrão. Ou sobre o jogo que eu comprei ontem e não dormi porque fiquei jogando. Não vou ficar passando por procedimentos que eu não quero só pra agradar outra pessoa. Eu posso pagar a conta de vez em quando. Posso rachar também. Não me importo, é serio! Acho que poucas mulheres que trabalham se importam.

Eu vou ser dona de casa, se eu quiser. Ora, em cada momento da vida a gente tem prioridades. Minha vó não estudou o quanto gostaria porque não teve opção. Casou e teve filhos. Foi educada pra ser dona de casa. E é isso que eu agradeço por ter hoje: opção. Posso escolher fazer uma graduação, uma pós, um mestrado, um doutorado, um pós-doutorado e depois disso decidir que tá na hora de priorizar a busca pelo sofá perfeito ou pelo cuidado dos meus filhos dentro da minha casa. E se eu quisesse trabalhar loucamente, rachar de ganhar dinheiro, não casar, não ter filhos? Que mal há nisso? Cada um escolhe como preencher a própria vida. Vocês não tem nada a ver com isso.

Então, por favor, vocês que ocupam esse trono invisível que dá direito à regulamentação da vida de uma mulher: apenas parem. Peçam demissão desse cargo sem cumprir aviso prévio. Parem de levantar discussão sobre o comportamento e comecem a falar sobre como mudar, para o bem, a sociedade da qual você faz parte. Porque eu vou ser o que eu quiser, independente do que você pense sobre isso.


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