domingo, 12 de maio de 2013

# ser mãe

Eles não estragaram as nossas vidas

Eis que chega o Dia das Mães. É uma responsabilidade imensa ser protagonista neste dia...

Não sei vocês, outras mães, mas nessa data rola um flashback de todo o caminho que eu percorri desde o "Deu positivo" até hoje. E aí eu lembro dos enjoos, de como às vezes eu levantava de manhã e esquecia que estava grávida, até me olhar no espelho e levar um susto, da correria que foi trabalhar/estudar/escrever o TCC/cuidar de um recém nascido - tudo ao mesmo tempo. Lembro do quanto eu me esforcei pra fazer tudo dar certo, lembro que eu acabei esquecendo muita coisa e lembro que eu ouvia muitas frases e julgamentos que me deixavam bem p&%@% da vida, mas que me ajudaram a não desistir e um dia mostrar pra essas pessoas que eu fui e sou capaz.

Frases do tipo:

"Nossa, uma criança cuidando de outra criança"
"Tadinha, tão nova, vai perder a juventude"
"Você estragou a sua vida"
"E o marido?"
"Não vai dar conta"

Não sei se vocês que dizem essas frases já perceberam, mas na altura dos vinte e poucos anos a sua avó já tinha casa pra cuidar e mais um bando de filho. Provavelmente, a sua mãe também. Qual é o espanto? E desde quando idade é diretamente proporcional à maturidade e competência pra cuidar de uma criança? Vou contar umas histórias pra vocês para que esse julgamento diminua, ou para que você enxergue essa situação por um ângulo diferente. Entre brincadeiras com os filhos, paradas pra comer, pra dormir, pra descansar, pra trabalhar, ir ao pilates e academia, eu conversei com quatro amigas que mostraram que a idade no documento não diz tudo sobre uma pessoa ser ou não boa mãe. Curte só:


A Carol mãe do Mateus


Carol estava lá, nos seus 18 anos curtindo a vida bagunçada de adolescente. Namorava, estudava, vivia na farra. Até que engravidou. Depois de muito chorar, resolveu assumir a responsabilidade e mudar a vida. Contou para os pais e para os pais do namorado. Ouviu o sermão clássico sobre irresponsabilidade, decepção e futuro e, no fim,todos apoiaram. A ficha do futuro pai demorou um pouco para cair, mas logo ele já estava participando da vida do filho que estava pra chegar.

Hoje em dia os pais do Mateus não estão juntos como um casal, mas, pasmem, moram na mesma casa (!!). Decisão madura em nome do bem estar do filho. "Facilita bastante a nossa vida familiar, ele procura dar a estrutura necessária para mim e para o Mateus", diz ela. Essa decisão só pode ser tomada porque mesmo que o relacionamento tenha acabado, o respeito e a parceria entre os dois permaneceu. "Eu acredito demais em carma e espiritismo e eu tenho certeza que somos carma um na vida do outro. Hoje conseguimos enxergar a importância que um tem para o outro, que não necessariamente deve ser levado para um relacionamento amoroso. Como amigos, morando sob o mesmo teto, nos damos muito melhor do que quando éramos um casal". 

Depois de uma vida cheia de "coisas não pensadas", como ela mesma definiu, o Mateus trouxe maturidade e equilíbrio pra vida dela. Não perdeu a juventude, não estragou a própria vida e os três estão se virando muito bem, obrigada.


A Carol mãe da Isabela


Carolzinha estava com 22 anos e naquela correria de faculdade e estudar pra concurso quando soube da vinda da Isabela. "Foi um baque". Ela e o namorado, que estavam juntos há 1 ano e 8 meses, já estavam juntando uma grana pra casar. A gravidez não abalou a relação, pelo contrário. Anteciparam o casório e o dinheiro da festa virou enxoval de bebê. O pai da Carol era bem conservador e ficou chateado com a notícia. Mas passou. Depois de uma gravidez cheia de enjoos e alguns outros problemas, um susto no 8º mês: começou a perder líquido e o médico recomendou repouso absoluto até o final da gravidez. Mas ficou tudo bem.

A nova vida de mulher casada  e a nova configuração de família foi se ajeitando aos poucos. Sair da casa da mãe para ter a sua própria casa pra cuidar, lavar, passar, cuidar da Isabela e trabalhar. Não é fácil mesmo. Mas recado pra você que disse que ela tinha acabado com a vida dela: ela tá felicíssima! 


A Kamila mãe do Davi

A Kamila engravidou com 19 anos entre idas e vindas de um namoro de 8 meses. Apesar sempre ter sonhado em ser mãe, se sentiu assustada, decepcionada. Tudo isso no meio de uma turbulência familiar com a separação dos pais. Na hora de contar pra família foi o clássico susto ("esperava isso da sua irmã, e não de você", comentou a mãe dela) seguido de preocupação e depois alegria pelo novo membro da família.

Mesmo separados, o pai do Davi era participante. Estava presente todo mês na hora da ecografia. Mas a ficha de que ele ia ser pai ainda não tinha caído, que que dificultou a volta dos dois. A Kamila acha que enjoou da cara dele também. Fator decisivo! Brincadeiras à parte, o casal reatou no dia que o Davi nasceu, ainda na maternidade.

Ao contrário dos boatos que ouvi na época, ela  disse que não teve depressão coisa nenhuma. "Só no começo eu me sentia presa e sozinha, então adorava receber o povo lá em casa para conhecê-lo".

Eles ainda não moram juntos, mas os planos para casar estão para o ano que vem. Enquanto isso cuidam juntos do filho e estudam para concurso. "Casal de biólogos, é foda", brinca ela.

Você que estava dentro da casa dela e mesmo assim ficava destilando veneno, olha como as coisas estão dando certo. Se não tem nada de bom pra falar, é melhor ficar calado.


A Debby mãe do Davi




Se você acha que engravidar com 20 anos é difícil, imagina se isso acontece enquanto você está se tratando de um câncer. Sim, meus amigos, câncer. Ela estava tomando o seu Glivec de todo dia para o tratamento da leucemia quando descobriu que estava grávida. Ela teve que escolher entre a vida dela e a vida do filho, porque teria que parar imediatamente com a quimioterapia. Ela escolheu a vida dele. O namorado sugeriu o aborto. Ela negou. Em razão do remédio, o Davi podia ter nascido com inúmeras sequelas, mas, como vocês podem ver aí na foto, ele esbanja saúde e gostosura.

Durante uma gravidez super assistida, que alternava entre consultas no oncologista e no obstetra de alto risco (que o plano de saúde não cobria), a leucemia deu uma trégua pra ela. Só a anemia que não passava.

Como em outras histórias aqui citadas e em outras que você pode ter ouvido, a ficha do pai demorou a cair. Pediu ela em casamento no dia do aniversário e depois retirou o pedido no dia das mães. Achou precipitado, olha só. Depois de tantas cobranças por parte da mãe em relação a um emprego, ao enxoval e ao futuro do filho, ele  pediu que a mãe cuidasse da vida dela e da vida do bebê que ele iria cuidar da dele. Foi o que ela fez.

Davi tá aí, lindo, forte, saudável. E ela, aos poucos, retomando a vida. Podia ter morrido sem o tratamento. Mas tá cada dia mais forte. Por ela e pelo Davi.


No fim das contas...

Não estou aqui fazendo apologia para que todos tenham filhos aos 18 anos. Claro que não. É sempre melhor quando você tem estabilidade financeira (dinheiro pode não trazer felicidade, mas, nesses casos, dá uma tranquilidade que vocês não imaginam), um plano de saúde e um bom suporte, seja ele da família ou do pai da criança.

Estou tentando mostrar que você não precisa ficar falando essas besteiras que eu já citei quando fica sabendo que uma amiga mais nova engravidou. As mulheres da história que eu contei aqui, por exemplo, não se enquadram no estereótipo "periguete que não estudou, foi pro baile funk e engravidou aos 15 sem saber quem era o pai". Por isso vamos parar de compartilhar essas idiotices sobre garotas que engravidam cedo. Pode acontecer com qualquer um. Inclusive com você e sua namorada inteligentíssima que ouve Bach enquanto dirige.

E se isso acontecer com você, tá permitido chorar, tá permitido sentir medo, tá permitido se sentir insegura. Mas ó, depois levanta a cabeça e pensa que vai dar tudo certo. Vai correr atrás daquilo que o seu filho vai precisar. Não negue ajuda, você vai precisar. Mas não espere que as coisas caiam milagrosamente do céu. Você não vai estragar a sua vida. Apenas andar numa velocidade diferente e talvez tenha que adiar alguns planos.

E sabe qual a melhor parte de ser mãe "cedo"? Perguntei pras minhas amigas e elas foram unânimes em dizer que tem mais pique pra acompanhar os filhotes, que pela diferença de idade ser menor, é mais fácil o entendimento e que quando os filhos estiverem adolescentes, elas ainda vão estar nos seus 30 e poucos. Acho que vai ser mais fácil passar pela fase da aborrescência com eles. E até curtir, se for possível. Mas isso nós só vamos poder confirmar na prática.

Tem também a parte da maturidade. De colocar outro ser humano como prioridade. De educar alguém e ver essa pessoinha crescendo. E de experimentar um amor tão abusudo de grande que não dá pra explicar. Olha, vocês precisam experimentar esse amor incondicional.  Sério. Super indico. Mas ainda bem que isso tudo você pode experimentar sempre que um filho chegar, independente da idade.

Feliz dia das mães pra gente. :)


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