terça-feira, 2 de abril de 2013

# ser mãe

Programa mãe e filha

Sabe, Alice. 


Desde que você nasceu eu fico imaginando que em algum momento nós seremos uma releitura de Gilmore Girls. Teriamos gostos parecidos, eu te mostraria os livros que marcaram a minha juventude enquanto você baixa uma versão no seu tablet (ou seja lá qual o dispositivo do momento), que faríamos várias coisas juntas.





Só não imaginei que uma dessas coisas seria ficar doente.

Quando estávamos no supermercado e passamos pela geladeira você reclamou que estava muito frio e eu automaticamente senti a minha garganta arranhando. "Droga, vou ficar doente", pensei.

No outro dia acordei indisposta e a babá avisou que você estava com febre. "Ficaremos as duas debaixo das cobertas tomando remédio ", pensei. Erro meu. Levantei da cama pra ir falar com você e você estava pulando no sofá com mais energia que o de costume. "Essa menina não pode estar doente", pensei. Até você vomitar o leite que havia tomado. Pensei demais. Errei de novo.

Fomos ao médico. Eu, sem ter dormido na noite anterior e com uma cara de dar pena. Você, com o rostinho não mais angelical que o de costume. Você entrou no hospital e decidiu bater seu próprio recorde dos 100m com barreira (as cadeiras, no caso) enquanto eu não me aguentava em pé fazendo as nossas fichas no hospital. Estabeleci pra mim um limite: lixo hospitalar e consultório não pode. Nas outras ocasiões eu ficaria sentada esperando que o seu bom senso te guiasse. Até que funcionou.


- É uma virose, a médica disse. No linguajar popular quer dizer que o médico não faz ideia do que esteja causando tudo aquilo, mas que com um pouquinho de amor, Novalgina e muito líquido deve passar.

Na hora de ir embora você abriu o berreiro. Deve ter sido muito divertido pra você transformar uma sala de espera em parque de diversões particular. As pessoas em volta ficavam surpresas ao te ouvir dizendo "eu não quero ir embora do hospitaaaaaal..."

Chegando em casa fomos, juntas, tomar nossos respectivos remédios. Eu com meu antialergico, antibiótico e outros anti e você com sua febre de "virose". Acabamos adormecendo tranquilamente. Sonhei com um pica pau enchendo meu saco, bicando meu olho. Acordei e vi que era você cutucando meu olho e dizendo: acorda, mamãe!

O problema é que a sua febre não baixou e nós tivemos que voltar ao hospital.

As crianças na fila de espera adormeciam no colo das mães, ou choravam com alguma dor. Você corria freneticamente como se fosse a coisa mais importante da sua vida. Uma pessoa perguntou: "Nossa, que gracinha! Tá doente mesmo?" E a minha vontade era responder: "Claro que não! Não tá vendo que esse é o lugar preferido dela pra brincar? Adoro passear em hospitais." (Se bem que uma das mães na fila de espera deixou outras crianças passarem na frente porque ela achava melhor estar ali do que em casa. quer dizer que existe louco pra tudo)





Percebi que você é muito mais forte que eu. Não se abala fácil, principalmente com uma virose qualquer. Enquanto eu fiquei de cama 3 dias, você agia como se nada estivesse acontecendo. Enquanto você deu o braço para o enfermeiro tirar uma amostra de sangue sem nem chorar, eu quase desmaio e vomito quando preciso fazer isso.

A sua virose foi embora antes mesmo de eu parar de fungar. Você nem se deu o trabalho de perceber que ficou doente. Continue assim.

Espero que no futuro nós possamos fazer outras coisas juntas, que não essa de ficar doente. Mas seja boazinha comigo daqui pra frente, ou então um dos programas mãe e filha que faremos é eu ir pra suas baladinhas com você e suas amigas e arrasar na pista de dança quando tocar as músicas do meu tempo.

Beijo, mamãe.

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