sexta-feira, 8 de março de 2013

Não me venha com flores

Dia Internacional da Mulher e o logo vem no pensamento todas aquelas mulheres que conseguiram um lugar de respeito e importância, como a Dilma e as suas ministras, a presidente da Petrobras, a Hillary Clinton, Angela Merkel, e várias outras que figuram a lista das mulheres mais poderosas, segundo a Forbes. Mas o exemplo de sucesso delas para essa data tem, pra mim, pouca importância diante do quanto mulheres no mundo todo tem sofrido coisas absurdas nas mãos de outras pessoas. Basicamente nas mãos de homens que pensam que mulheres são propriedades deles.

Por isso não me venha com sorrisos encantadores e rosas. Eu quero respeito, todos os dias. Apenas isso. Quero que esses que se dizem homens parem de tratar as esposas, namoradas, ex - esposas, filhas, mães, avós ou mesmo qualquer mulher que encontre na rua como objeto, com desrespeito. Você não é dono de ninguém. 

Campanha do Banco Mundial de combate à violência contra a mulher
Enquanto pensava nesse post lembrei da vez em que estava numa festa e um cara (bêbado e chato) veio de gracinha pro meu lado. Segurou no meu braço. Eu respondi que não e apontei uma amiga minha como minha namorada pra ver se ele desistia.

- você prefere ela do que eu?, perguntou ele com um ar inconformado.
- mil vezes.
- então eu vou te ensinar a gostar de homem.
- oxi mermão! tá louco?

Aí ele apertou meu braço forte e começou a girar. Isso foi na mesma época que um cara quebrou o braço de uma mulher na balada. Aquela história automaticamente me veio à cabeça mas eu não quis me curvar àquele imbecil. Felizmente, não houve nada. Isso tudo durou menos de um minuto, já que os meus amigos e os dele entraram no meio. Depois que a raiva e a dor no braço passaram, eu fiquei me perguntando que tipo de homem não consegue aceitar um "não", e que acha que tem o dever de ensinar mulher a gostar de homem. O que ele queria fazer?

Essa situação, na verdade, é nada se comparada com o que tem acontecido por aqui.

Aluna da UnB é agredida no estacionamento da universidade
Mulher é esfaqueada pelo ex em shopping
A cada hora, duas mullheres são agredidas no DF
Uma em cada quatro mulheres assassinadas no DF foi morta pelo companheiro
Mulher leva dez facadas do ex
Mulher é estrangulada pelo marido
Mulher é estuprada por 6 horas pelo vizinho

Moro na cidade com maior índice de denúncia de violência contra mulher. 25% das mulheres assassinadas são vítimas de violência doméstica. E de acordo com o Mapa da Violência de 2012, 71,8% das agressões contra a mulher ocorreram em casa. O que eu percebo é que não importa o quanto a mulher conquiste sua independência ou fique mais perto de se igualar aos homens no mercado de trabalho, alguém sempre vai achar que a mulher não tem direito a decidir sobre o que acontece com ela. Ela não pode terminar um relacionamento, ela não pode andar na rua sossegada, não pode estar tranquila  dentro de casa. Não pode porque quem decide isso por ela é o ex que não quer terminar, o marido que  impõe comportamento, que quer uma mulher submissa, porque a filha ou a esposa não se comportou "como deveria", o vizinho ou um estranho na rua que acha que tem direito de ter a mulher que ele quiser, na hora que ele quiser.

É isso que o machismo faz, Faz homens (e até mulheres) acreditarem que eles são superiores a elas. Por serem superiores tem direito de decisão sobre os tais seres inferiores. Vou dizer uma coisa pra você que pensa isso: você NÃO é melhor que ninguém, meu caro. Você mulher, que multiplica o machismo por aí, que merda é essa que você tá fazendo?

Mulheres são alvo de violência no mundo inteiro

Então se você quer presentear as mulheres de alguma forma neste 8 de março, faça com mudança de comportamento. Não seja conivente com uma agressão, seja física, verbal, psicológica. Não sei vocês, mas depois que a Alice nasceu, eu fiquei bem mais pensativa em relação ao mundo que eu vou deixar de herança para os que estão chegando. E eu não quero que ela seja mais uma nas estatísticas de violência contra mulher. Nem eu, nem ela, nem as amigas, as primas... é esse o tipo de homem que você quer ver perto da sua filha, no futuro? O que bate, que oprime, que inferioriza, que traumatiza, que estupra? Espero que não.


Nenhum comentário:

Postar um comentário