segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Momento nostalgia: eu era feliz e sabia

Momentos nostálgicos são divertidos. Você relembra com saudosismo  saudade uma época da sua vida que, enquanto estava sendo vivida, você não imaginaria coisas tão banais seriam lembradas anos depois. E aí que eu percebi que a minha infância teve um pouco da geração que me antecedeu e da que sucedeu e isso foi fantástico.

Eu tive a oportunidade de conviver e utilizar a fita K7, a VHS, o disquete, o CD e o vinil, tudo ao mesmo tempo. Lembro que ficava horas ouvindo rádio com os dedos engatilhados no REC + PLAY pra gravar uma música que eu tinha esperado o dia inteiro para ouvir. Depois de preencher o lado A e o B, fazendo o possível pra não deixar nenhuma cortada pela metade no final da fita, eu ia pro sofá da sala ouvir as minhas músicas no meu Walkman. Todos os meus irmãos tinham. Cada um ouvia a sua música, democraticamente. Nós trocávamos fitas uns com os outros e quando um estava ouvindo algo legal na rádio, os outros sintonizavam a mesma rádio. Quando nós ganhamos Discman já estávamos numa fase mais aborrecente. Um perguntava "O que você está ouvindo?" o outro respondia "Uma música aí". E pra vingar a malcriação a gente dava um peteleco no aparelho pra fazer a música dar um salto.



O legal de ter vivido o ponto de interseção entre duas gerações tão distintas é que eu podia passar horas jogando videogame ou no computador com os meus irmãos e amigas e depois simplesmente ir pra rua subir em árvores, andar de bicicleta ou jogar bola. Não sou do tempo em que as crianças só brincavam na rua ou da geração que só jogou futebol no FIFA. Eu vivi as duas coisas ao mesmo tempo. Queimada, Mortal Kombat (eternamente em meu coração), Subir em árvore, Rei Leão (8 disquetes de instalação), International Superstar Soccer (Deluxe!), piquenique debaixo do prédio, andar de bicicleta por lugares "proibidos", Titanic dividido em duas fitas VHS, gastar R$10 no combo cinema + mc donalds...

Lembrei que mesmo com computador e internet (discada, óbvio) em casa, eu curtia mesmo era fazer meus trabalhos da escola na máquina de escrever do meu avô e usar as enciclopédias da minha avó. Fui hipster um dia.

Se eu falar de infância e não falar que fui educada pelo Silvio Santos e pelo Faustão eu estaria sendo injusta. Foi com eles que aprendi todas as coreografias do É o Tchan e as letras de pagode dos anos 90. A tal da fórmula de bhaskara eu nunca decorei, mas essas músicas foram tatuadas com um coração em minha memória.

Fico imaginando como seria se já existisse Facebook naquela época. Eu levava o amor platônico muito a sério. O garoto que eu gostava não poderia saber sobre os meus sentimentos por ele, sob risco de eu sofrer uma morte súbita, um infarto ou coisa parecida. Desenhar a letra inicial do projeto de gente dentro de um coração no diário, sonhar como seria um beijo... Curtir uma foto naquela época seria como pegar na mão pela primeira vez.

Eu poderia ficar horas escrevendo sobre outras coisas que marcaram esse período, como as roupas da Side Play, que davam muito mais status que essas importadas de hoje, coleção de cartão telefônico, de papel de carta, de folha de fichário, de cupom promocional da lista telefônica, de calça bailarina, de coreografia ensaiada, da época que eu lia a Veja, de Power Rangers, Spice Girls e Backstreet Boys mas a vida adulta me chama de volta do Túnel do Tempo e a Declaração de Imposto de Renda não vai se preencher sozinha.

Pra finalizar um vídeo que o Sassá, do Incrível Mundo de Saraiva, achou pra resumir essa coisa maravilhosa que foi viver os anos 90. Essas músicas construíram o ser que eu sou hoje. Merece compartilhamento eterno. <3


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