quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Crescer não respondeu. Agora é a sua vez.

Começo novamente agradecendo a todos vocês, leitores, amigos, colegas, simpatizantes, curiosos e tudo mais. Vocês são sensacionais. Essa mobilização em torno desse preconceito "discreto" que a Crescer pratica foi muito maior do que eu poderia imaginar. 

Mais de 30 mil visualizações e 200 e tantos comentários e a Crescer resolveu que a melhor forma de comunicação com os seus consumidores é o silêncio. Assessoria de imprensa de um veículo de comunicação que não quer se comunicar. Parabéns a todos os envolvidos nessa "sábia" decisão!

O irônico é que se você for ler o todo-poderoso documento chamado Princípios editoriais da Editora Globo você vai encontrar frases como essas:

As Organizações Globo repudiam todas as formas de preconceito, e seus veículos devem se esforçar para assim ser percebidos;

As Organizações Globo são entusiastas do Brasil, de sua diversidade, de sua cultura e de seu povo, tema principal de seus veículos. Isso em nenhuma hipótese abrirá espaço para a xenofobia ou desdém em relação a outros povos e culturas;

A análise crítica das edições passadas é um imperativo. É a verificação cotidiana de pontos negativos e positivos das reportagens que permite o aperfeiçoamento contínuo delas e a sua adesão a estes princípios editoriais. Todos os veículos das Organizações Globo devem ter as suas estruturas de análise, escolhendo aquelas que melhor se adaptam ao seu perfil;

Aqui o documento na íntegra

Aproveito o espaço para esclarecer alguns questionamentos deixados nos comentários. Alguns desqualificaram o meu texto dizendo que colocar negro em capa de revista é uma questão estética e que eu deveria me preocupar com coisas mais importantes. Outros disseram que eu não estava certa em dizer aquilo tudo porque eu tinha que perguntar dos asiáticos, dos feios, dos gordos, dos caboclos, dos índios, dos deficientes e de outras ditas minorias.

Deixa eu contar uma coisa pra vocês: a sua luta não é maior que a do outro não, viu? Você não pode desmerecer uma para que a sua sobressaia. Aqui estamos todos do mesmo lado, da luta pela igualdade e pela diversidade. Não tô aqui dizendo que o negro é melhor que branco, que caboclo, que os feios, que os gordos. Essa é uma batalha conjunta, se vocês se viram contra mim, estão esquecendo que o verdadeiro culpado é quem promove toda essa desigualdade.

Ter crianças negras na capa de uma revista não é questão estética. O ponto aqui não é a cor da pele em si, mas o que acontece por causa dela. Eu quero uma revista com crianças negras na capa porque a sociedade precisa entender que toda criança é linda e eu nunca mais quero ter notícias que uma senhora chamou uma criança de preta horrorosa ou um sujeito que chamou uma garotinha de nojenta, ou ver as crianças negras sendo esquecidas e rejeitadas nas filas de adoção porque os candidatos a pais preferem as brancas. É desse tipo de comportamento que você quer ser cúmplice, Crescer?

E não me venham com essa história de público-alvo. Existem pessoas negras e pessoas brancas nas mais diversas situações sociais. Negro rico, branco pobre. Negro casado com branca e classe média, branca casada com negro e com filhas brancas e negras ricos, brancos pobres com avós negros e filhos negros pobres. Ou seja, que diferença a cor da pele faz na hora de selecionar um público-alvo? Ah, falando nisso, quero muito que alguém me mostre essa tal pesquisa de mercado que diz que as pessoas preferem ver brancos nas capas e que negro não vende revista. O que dizem que é senso comum não me convence.

Como várias pessoas disseram, isso não acontece só na Crescer, mas em várias outras publicações. Ô revista Pais e Filhos, vocês também não colocam crianças de outras etnias nas capas desde março de 2011, pelo menos! É culpa do copia e cola autorizado da revista americana Parents?

E já que eu tô falando de outras revistas:



Ei, revistas de moda/comportamento, pra que incentivar a compra do sapato mais lindo de todos os tempos da última semana se daqui seis meses vocês estão julgando quem mal quem usa? Pra que essa correria pelo mais novo produto que retarda o envelhecimento se todo mundo vai envelhecer? Não poderiam valorizar outras coisas como caráter e conhecimento?

Alô revistas masculinas! Que tal trocar os "Dez passos de Como Conquistar uma Gata na Balada" pelos "Dez passos Para Tratar bem uma Mulher"? E o primeiro passo seria: Cara, você tem que respeitar a decisão de uma mulher. O corpo dela é dela. Não é não, independente da roupa que ela está usando ou do julgamento que você fez do caráter da moça. Ter pênis não dá a você o direito a enfiá-lo onde e quando bem entender. Ter mais força que ela também não dá o direito de usar contra ela.

Revistas que se dizem de saúde! Esqueçam o chá-seca-barriga e a dieta que faz perder 10kg em uma semana e me informem sobre alimentos saudáveis para controlar a minha pressão, ou baixar o colesterol, ou reduzir os triglicerídios.

Eu poderia escrever uma daquelas cartas quilométricas que os fãs escrevem para os seus ídolos, só que mostrando tudo de estranho que eu vejo nas revistas ultimamente. Mas o meu ponto não é esse. Você é consumidor e tem direito sim de reclamar quando não gosta de algo. Não somente como consumidor, mas também como cidadão. Você não é obrigado a engolir tanta porcaria passivamente.

E ó, todo mundo de olho na Crescer de agosto, hein?

ATUALIZAÇÃO: Olhem a capa de Outubro da Crescer! http://eracilada.blogspot.com.br/2012/10/momento-epico-uma-crianca-negra-na-capa.html

Um comentário:

  1. Guria, vc tá ficando boa nisso...ah por falar em revistas, e aquelas q colocam uma saradona fazendo um treininho de 3X20 e vc se ilude que vai ficar com a bunda e a barriga igual? Muita imagem pra pouco conteúdo!

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