quarta-feira, 18 de julho de 2012

A Crescer e suas crianças brancas - parte II


 




Primeiramente, gostaria de agradecer tooodo mundo que leu o post anterior, que curtiu, que comentou, que compartilhou e que deu aquele RT maroto para os seus coleguinhas. Fico muito feliz em saber que muita gente se incomodou com a postura de Crescer em só colocar crianças brancas nas capas de suas publicações. Quem pegou o bonde andando pode ler o primeiro post.

Pois bem, eis que a Crescer me (nos) ouviu e respondeu o meu email:


Ericka,
tudo bem? Vimos seu post no seu blog, que acompanhamos.
Primeiro gostaríamos de pedir desculpas por tê-la deixado sem resposta, ainda não conseguimos localizar seu e-mail aqui para saber o que aconteceu, já que costumamos sempre falar com nossos leitores.
De fato, faz algum tempo que não temos capas com crianças negras, mas costumamos fazer muitas fotos com crianças de todas as raças em nossas reportagens, como você pode ver em todas as edições da Crescer.
Esperamos continuar tendo você como leitora.
Obrigada,
Daniela

Essa foi a minha resposta:

Olá, Daniela.

Infelizmente a sua resposta foi muito pequena e vaga diante do meu questionamento. Em quase dois anos vocês não colocaram crianças negras na capa da publicação de vocês. Isso não é normal! E já que você falou que vocês colocam crianças de todas as raças nas imagens das reportagens, eu resolvi conferir e contar. Peguei como exemplo a edição de julho de 2012 e olha só (não entraram na contagem as fotos de depoimentos pessoais dos leitores e publicidade):

Crescer - Julho 2012

1 criança negra (acompanhada de 1 adulto negro)
35 crianças brancas
(exceção: reportagem sobre o novo programa do Marcelo Tas, com 11 crianças, sendo 2 negras e talvez uma crianças com traços asiáticos)
Total: 3 crianças negras e 43 crianças brancas e um possível descendente de asiáticos.
(talvez em tenha contado alguma crianças mais de uma vez, mas deu pra ter uma idéia do que eu quis dizer)

Daniela, esse texto tomou uma proporção que nem eu imaginava.
De acordo com a contagem do Blogger, foram, até agora, 344 visualizações, além das várias curtidas e compartilhadas via Facebook. Sugiro que você dê uma olhada nos comentários do post. Você vai ver que a sua resposta nada esclarece. (atualização da madrugada: passou das 1600! 15 mil e contando!)

A Crescer é um veículo de comunicação respeitado entre as mães e não pode fingir que essa ausência é mera obra do acaso. Vocês estão moldando as leitoras, inconscientemente, a pensar que os filhos delas só serão bonitos o suficiente para aparecer na capa da publicação se forem brancos de olho claro. E eu já vi esse tipo de comentário no próprio site da revista, uma mãe estava questionando o que ela deveria fazer para que a filha dela fosse capa da revista e ela escreve: Como faço para minha filha ser capa da Crescer? Ela tem pele clara... (e o resto eu não me lembro). Esse é o critério de seleção? Não deveria!

O que já aconteceu, ou o que já foi publicado, não pode ser mudado. Mas é sempre tempo de se mudar de postura. E quanto a mim, vão precisar se esforçar um pouco mais para me fazer comprar a revista novamente.

É isso, gente. Pode parecer pouca coisa, mas eu realmente quero viver num mundo em que as pessoas (e crianças!) não sejam julgadas como superiores ou inferiores, como bonitas ou feias, baseadas na cor da pele. Na verdade esse julgamento não deveria existir, já que ninguém é melhor que ninguém e beleza é questão de gosto. Enfim, eu quero que a diversidade seja respeitada.


[ATUALIZAÇÃO] - Parte III - A Crescer não respondeu

Um comentário:

  1. Ola!! Me chamo Samia e li esse post por curiosidade, alguem compartilhou o link no facebook e resolvi entrar.
    Gostei muito do blog e da sua forma de pensar, o fato de ter incluido descendentes de orientais foi legal ja que algumas pessoas pensam que apenas afro descendentes sao preconceituados e eu como descendente de japones sei que nao e bem assim, gostaria de parabeniza-la por sua atitude, se todo mundo tivesse esse respeito pelo proximo o mundo seria um lugar melhor, atitudes como a sua ajudam as pessoas a abrirem os olhos e a mente para o que realmente tem valor, o ser humano e não a cor da pele!
    Abraços

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