quarta-feira, 16 de abril de 2014

Que se chama: intimidade

- Uai, amor, você demorou.
- Tava fazendo cocô.

As relações, sejam elas com mozão, com migos ou com família, passam por situações em que você percebe que ali houve uma evolução no nível de intimidade. É quando numa situação que normalmente você ficaria chocada, horrorizada, até chateada, você respira fundo e simplesmente aceita. Ou mesmo nem respira. Só aceita, sem crise.

Situações como fazer xixi de porta aberta, usar o vaso enquanto a outra pessoa está tomando banho são ações que costumam subir o nível de intimidade entre os participantes. Diarreia na casa do ser amado que, em vez de risos ou preocupação com cheiros, é apenas preocupação com a saúde e tratada com naturalidade costuma subir uns pontos na cumplicidade também.

Tem aquela amizade que, de tão íntima, você tem quase certeza que casar com a pessoa pode ser uma ótima pedida, mesmo que não haja qualquer interesse sexual no meio. Tem aquela com que você compartilha tudo tão naturalmente que é quase uma vida só. Tipo receber mensagem da amiga minutos antes de entrar no motel com um #hojetem ou quando o amigo conta sobre o duplo twist carpado que conseguiu fazer certa vez, ou você contando que vai precisar de cadeiras de rodas amanhã. Ou ainda aquela amizade sincera o suficiente para te sacudir pelos ombros e dizer: "mulher, cê tá louca" e que dá abertura para dizer "é chifre mesmo, para de se enganar".

A parte boa da intimidade é não ter constrangimento no silêncio. E poder ficar chorando por algumas horas seguidas sem que haja críticas, mas também sem que se deixe afundar na tristeza depois de um certo tempo. É ter uma pessoa pra te dizer "vai ficar tudo bem" num dia e num outro é ela quem vai estar ao seu lado dizendo isso.

Tem outras situações em que a intimidade é tamanha que você já não sabe mais o que esperar e às vezes é pega de surpresa e pensa: intimidade é uma merda. Mas né não. Intimidade é divertidíssimo. De que outra forma você dividiria seus medos mais absurdos, suas conquistas pessoais, suas neuroses ou analisaria em que momento a linha da normalidade foi ultrapassada? Pra quem mais você pediria ajuda num stalk?

Não é pra qualquer pessoa que você conta sobre aquela fobia de cachorro, não é qualquer pessoa que vai um dia te salvar de um terrível labrador que insiste em querer fazer amizade com a pessoa portadora da fobia, sem fazer piada com a história.

Você não entrega o padrão de desbloqueio do celular para um conhecido qualquer. Pra mexer no celular exige realmente um grau elevado de confiança e intimidade. Mexer nas fotos é quase como olhar a pessoa nua. Por favor, não mexam nos celulares alheios se vocês não tem intimidade suficiente com o dono para isso.

É na intimidade que você pode respirar aliviado e mostrar quem você realmente é. Porque dá um trabalhão parecer normal o tempo todo.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Maratona de séries

O Afonso, além de bróder e um dos integrantes do reality show Três Solteirões e um bebê que deve estrear a qualquer momento em nossas vidas, é meu assessor em assuntos de entretenimento. Ele tem as melhores dicas de baladas, filmes, de música e também de séries. Foi por isso que eu confiei a ele a missão de escolher as melhores séries para uma maratona. Então, aproveita o fim de semana, as férias, o ócio, o feriado ou o desemprego pra se divertir com as dicas, com uma bela ajuda do Netflix, que tem lugar cativo em nossos corações. <3

Orange Is The New Black



Série original e primeiro grande hit do Netflix, OITNB é daquelas comédias que te fazem rir e chorar ao mesmo tempo. A história acompanha a chegada de Piper Chapman (Taylor Schilling) em uma penitenciária feminina para cumprir 15 meses de sentença. Cada episódio foca no passado e presente das detentas, o que deixa a série extremamente dinâmica e envolvente. É impossível não se apaixonar pelas excêntricas e diferentes personagens vividas por um elenco impecável.

Mad Men



Situada nos anos 60 e criada por Matthew Weiner, que também é o criador e roteirista da aplaudidíssima The Sopranos, Mad Men gira em torno de Don Draper (o ótimo Jon Hamm), sua família e seus colegas de trabalho em uma das maiores agências de publicidade dos EUA. O que torna a série um sucesso absoluto de crítica e público é a forma e a maturidade com que são tratados os dramas vividos pelos personagens, passando por temas da época, como a chegada das mulheres no mercado de trabalho e segregação racial, além de temas universais como morte, amor e infidelidade. Dona de uma carga emocional e uma sutileza impressionantes, a série tem seis das sete temporadas disponíveis no Netflix.

Breaking Bad



Essa chegou ao Brasil com a alcunha de "Melhor Série de Todos os Tempos" e o pior que é difícil discordar da máxima. Com uma nota média de 99/100 no Metacritic e cinco temporadas, todas já disponíveis, acompanhamos a transformação de Walter White (vivido de forma majestosa por Brian Cranston), um professor recém-diagnosticado com câncer e que resolve fabricar drogas para sustentar a família. A escolha acaba provocando tragédia e infortúnios a ele e todos a sua volta. Ver a escalada da maldade e da loucura de Walter, chegando ao embasbacante clímax da 5ª temporada, é que tornou essa uma das melhores produções da história da TV mundial.

House of Cards



Como a primeira produção própria do Netflix, House of Cards tinha uma responsabilidade enorme de não somente ser excelente, mas cativante. E é incrível ver como essas promessas foram entregues com louvor. Frank Underwood, personagem vivido de forma memorável por Kevin Spacey, é um membro do Congresso Americano que, após levar a pior no jogo da política, resolve se vingar de todos os envolvidos e jura chegar ao cargo máximo do poder. A graça na série é ver o quão facilmente e inescrupulosamente Frank consegue o que quer. As vilanias de Frank e seus comparsas já estão na 2ª Temporada (e com a 3ª já garantida).

Derek



Criada, escrita, dirigida e atuada por Ricky Gervais (gênio da comédia britânica que criou The Office) para o Netflix, Derek consegue ser engraçada e extremamente triste ao mesmo tempo. O foco é o Lar de Velhinhos onde Derek, que tem a idade mental de uma criança de 8 anos, trabalha e convive com os também problemáticos colegas de trabalho e moradores do asilo. Cada episódio tem a capacidade incrível de te fazer gargalhar e chorar dentro de 20 minutos, sempre tratando assuntos pesados como morte e solidão com uma leveza impressionante. Essa pérola voltará para uma 2ª temporada, mas ainda sem data definida.

Doctor Who



Doctor Who não é só uma das melhores Ficções Científicas já feitas, é uma institução da TV Mundial que completou 50 Anos de exibição em 2013. O Doutor (sim, é o nome dele) é um alien que viaja pelo tempo e espaço com os seus companheiros humanos, sempre esbarrando em alguma encrenca e salvando o Universo. Se engana quem pensa que é uma série boba pela sinopse. O motivo da longevidade da série está na qualidade do seus roteiros e atores e no carisma quase infinito dos seus personagens. É simplesmente imperdível pra quem gosta de Sci-Fi. O Netflix conta com as sete temporadas + os especiais da fase mais nova da série (que começou em 2005 e pode ser acompanhada sem ter assistido nada da série antiga).

Sherlock



Dos mesmos criadores e roteiristas de Doctor Who, essa interpretação de como seriam as aventuras do detetive mais famoso do mundo no mundo moderno é de uma inteligência embasbacante. E as interpretações brilhantes de Beneditc Cumberbatch (Sherlock Holmes) e Martin Freeman (John Watson) são a cereja no bolo. Tudo na série é moderno e envolvente, da resolução dos casos à apresentação visual. Assista com cuidado pois a série é extremamente viciante (e dona de um dos maiores fã-clubes da internet). As três temporadas já produzidas se encontram disponíveis no catálogo Netflix.

The Office



Com um total de nove temporadas, todas já disponíveis no Netflix, The Office se despediu da TV em 2013 como uma das melhores séries de comédia já realizadas. Feita como um documentário do escritório mais estranho do mundo, a graça da série está na convivência e no realismo absurdo dos funcionários da Dunder Mifflin, chefiados pelo patético e hilário Michael Scott (na melhor atuação da carreira de Steve Carrell). É daquelas de gargalhar alto a cada episódio.

Luther



Essa pérola meio desconhecida da BBC é uma das melhores séries policiais dos últimos anos. O detetive Luther (vivido pelo ator revelação Idris Elba) resolve crimes usando sua incrível inteligência e métodos nada ortodoxos e éticos, como por exemplo a ajuda de uma psicopata assassina, vivida de forma apaixonante por Ruth Wilson. A série inteira tem somente 14 episódios e mantém a qualidade e a tensão do início ao fim.

Orphan Black



Essa série sobre clones foi a grande surpresa de 2013. A história repleta de reviravoltas ganha corpo e alma na atuação simplesmente inacreditável de Tatiana Maslany, que interpreta nada menos que SEIS personagens de forma primorosa, com uma atenção a detalhes que dá personalidades completamente diferentes a cada um dos clones. É difícil não ficar fisgado pela complexidade e excelência das atuações da série. A 1ª temporada já está disponível.

Parks & Recreation



Encabeçada por Amy Poehler (que dispensa apresentações), Parks apresenta várias semelhanças com The Office: as duas tem formato mockmentarie, ambas são focadas em um escritório (no caso de Parks, uma repartição pública) e ambas são engraçadíssimas. A diferença aqui se encontra no elenco afiadíssimo (Poehler sempre se gaba de ter o melhor elenco da tv e é difícil discordar) e no equilíbrio perfeito entre comédia e momentos de doçura sem a menor pieguice. Conta com cinco temporadas já disponíveis.


Bônus: indicação do <3

Cosmos: A Spacetime Odyssey



Essa não tem no Netflix, mas nem por isso deixa de ser uma indicação do <3. Cosmos é uma série-documentário sobre ciência que busca atualizar a clássica dos anos 80, que foi narrada e encabeçada pelo lendário Carl Sagan. Comandada dessa vez por Neil deGrasse Tyson, o maior comunicador da ciência da nossa geração, Cosmos passa por assuntos como Evolução, Astrofísica, Biologia e História; mas sempre com um didatismo e uma inteligência incrível, tornando fácil a assimilação de assuntos complexos sem nunca rebaixar o QI do telespectador. E não dói o fato da série ter uma fotografia e visuais lindíssimos, cada episódio é uma experiência visual que é difícil de explicar. Composta de 13 episódios, ela é exibida no Brasil pela NatGeoHD, todas as Quintas, as 22:30.

Aí quando você se apaixonar pelas séries e, de repente, seus amigos perguntarem por que você deu um "Adeus, mundo!" no Facebook e não voltou mais, mostre pra eles o que você anda assistindo ;)

PS: Sigam-nos os bons! @eracilada e @afuenso
PS 2: O joinha na fanpage do blog também é bem vindo. ;)

sábado, 8 de março de 2014

Uma carta para meu eu de 10 anos atrás

Keka,

Você não vai acreditar, mas eu vim do futuro. Dez anos no futuro. Vim pra te deixar uns conselhos. Talvez você nem me ouça, mas você sabe que, sendo eu (e sendo você, que é a mesma coisa), vou acabar falando de qualquer forma. Pra começar, esse apelido que todo mundo usa pra te chamar e você não faz ideia do motivo das pessoas te chamarem assim, só vai ser usado pelas suas melhores amigas e pelos familiares. Eu ia colocar uma foto sua atual, mas você continua com a MESMA cara. E outra: conforme-se com os peitos pequenos que você tem. Eles não vão crescer.

Você não faz IDEIA de como a sua vida está completamente diferente da que você imagina agora. Você é jornalista. Não se mudou pra Nova York, não trabalha numa grande redação. Você é mãe. Juro, cara. É sério. Aconteceu há quase 4 anos. Eu sei, eu sei, você sempre foi a mais certinha, precavida e responsável, mas essas coisas acontecem. Acho que eu nem deveria ter te contado isso porque você vai ficar ansiosa e com mais medo ainda de vivenciar os momentos. Relaxa. Você já tem sua casa, seu carro, mas não tem um cachorro até hoje. Você e a Alice, sua filha, se dão super bem. Não precisa de dom pra ser mãe, precisa se esforçar pra fazer as coisas direito.

Garota, você ainda vai sofrer muito por amor. Você acredita demais nas pessoas. O cara que trai uma vez, trai duas três quatro na sua frente, pelas costas, pela internet, na própria casa, na casa do primo, no trabalho. (infelizmente eu não tô exagerando). Quando o cara disser que você nunca vai encontrar alguém como ele (você vai ouvir isso mais do que deveria), acredite. E erga as mãos para os céus e diga "Amém!" Você não precisa de migalhas, o mundo tá cheio de gente legal. Hoje você tem uma dificuldade absurda em acreditar que os caras que você se envolve serão fieis. Você vai estar cercada de maus exemplos, mas poderia não surtar tanto com isso. Até porque eu já te ensinei que você não precisa de migalhas. É só partir pra outra. Se você puder dar uma trabalhada nisso, vai me ajudar bastante por aqui.

Essa sua relação de amor e ódio com o cabelo vai passar. Eu sei que você passou a vida inteira escutando que cabelo armado é feio, que o seu cabelo dá trabalho, que tem que deixar ele grande pra não ficar volumoso, dizendo que você fica mais bonita de cabelo preso ou que deveria escovar sempre. Desapega. Ele mais curto fica lindo, você vai ver. Vai valorizar ainda mais os seus cachos. E para de deixar as outras pessoas mandarem no seu cabelo. Ele é seu e ter um cabelo como o seu é pra se orgulhar, e não esconder.

A internet daqui é demais. Não precisa esperar dar meia noite pra entrar. Ela é mais rápida. Dá pra acessar até do celular. Você ainda não tem um agora, mas vai ter vários. A sua vida vai, praticamente, se concentrar na internet. Ela não serve mais só pra baixar música e entrar no chat do UOL e do Terra. Ela vai ser a base do seu trabalho. Continue assim, curiosa. É através da internet que você vai conhecer várias pessoas, manter contato com pessoas queridas e ter o seu blog. Até que as pessoas gostam bastante do que você escreve. Continue lendo bastante e prestando atenção nas aulas de português. Se você, por acaso, fizer a mesma viagem no tempo que eu e voltar uns 5 anos no nosso passado, não deixa que eu (ou você, ou ela, sei lá, já tô confusa) rasgue todos os diários. Deve ser divertido ler eles atualmente. Se você encontrasse os carinhas que você gostou naquela época, ia dar muita risada de como eles estão hoje.

Nem todas as pessoas que te juram amizade eterna estão com você agora. Muitos caminhos se desencontraram. Às vezes nem é de propósito. Mas sim, acontece. Com outras você vai conseguir estar sempre em contato, e a internet vai ajudar com isso. Você vai trocar as cartinhas por mensagens de texto, whatsapp, mensagem no Facebook. Algumas vão te abandonar, outras vão falar de você pelas costas, outras vão te invejar pelo que você conquistou. Continue assim, na sua. Você continua acreditando que a inveja é uma força destrutiva e compartilhando suas conquistas apenas com quem se importa de verdade.

Você vai odiar algumas pessoas, vai fazer coisas que sempre disse que não faria. Mas os princípios continuam firmes e fortes. Nada de coca cola no café da manhã, de balada durante a semana ou de traição. Você vai trabalhar, ganhar o seu dinheiro e perceber que, quanto mais dinheiro se tem, mais se tem com o que gastar. Você tem aí uns 5 ou 6 anos antes da Alice chegar. Larga de ser medrosa e vai viajar.

Você continua gostando de escrever. A prova disso, além da sua profissão, é como essa carta ficou enorme. Pra finalizar eu quero dizer, com muito orgulho, que você foi no show do É o Tchan no ano retrasado e ainda se lembra de todas as coreografias. No ano passado você foi no show do Molejo e foi sensacional.

Eu poderia dizer mais um monte de coisas que você poderia ou não fazer, mas hoje eu sei que tudo que você passou ajudou a construir a pessoa que eu sou hoje. Então segue em frente, você tá fazendo um bom trabalho.

Beijo,
Ericka

Este post faz parte de uma blogagem coletiva do Rotaroots. A ideia inicial surgiu no Hypeness e tem um monte de blogueiro soltando a imaginação com suas cartas também. Você pode acompanhar aqui, ó.
 Sigam-me os bons!
@erickacris e @eracilada

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Estatuto da Família comentado

Eu sempre fico indignada quando política e religião se misturam. Primeiro porque são duas áreas de grande influência na sociedade. Segundo porque a palavra "religião" envolve muitas crenças e, quando se mistura com a política, e ela nunca (odeio generalizar, mas neste caso é verdade) procura atender os anseios de todas as religiões, apenas da sua própria. E é assim que nascem aberrações como o Estatuto do Nascituro e agora, o Estatuto da Família.

Sob o pretexto de "buscar a valorização e o fortalecimento da entidade familiar, por meio da implementação de políticas públicas", o deputado Anderson Ferreira, do PR de Pernambuco criou um Estatuto que, se aprovado, vai marginalizar várias famílias que não se encaixam no padrão pai-mãe-filhos. Eu já acho estranho que exista uma política específica voltada para a família, quando, na verdade, o que deveria ser fortalecido é o indivíduo. Tem muita gente sozinha por aí que tem tanto direito (ou até mais, por não ter qualquer tipo de apoio ou suporte) quanto uma família.

A exclusão já começa na definição dada de família:

Art. 2º Para os fins desta Lei, define-se entidade familiar como o núcleo social  formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

O negrito não é meu, está no texto do projeto mesmo. E aí eu já começo a me perguntar que tipo de Estatuto da Família é esse que ignora famílias formadas por avós e netos, madrinhas/padrinhos e afilhados, tias/tios e sobrinhos, e até famílias formadas apenas por irmãos. Além disso, sr deputado, as famílias formadas por duas mães ou dois pais são realidade no país, ainda bem. Se o casamento é reconhecido por lei, você não pode marginalizar a família que não tem pai e mãe e muito menos os filhos advindos de união homossexual, beleza?

Art. 3º É obrigação do Estado, da sociedade e do Poder Público em todos os níveis assegurar à entidade familiar a efetivação do direito à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania e à convivência comunitária. 
Se o Estado cuidar do indivíduo, a família também vai ter acesso a tudo isso.

Art. 5º É obrigação do Estado, garantir à entidade familiar as condições mínimas para sua sobrevivência, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam a convivência saudável entre os seus membros e em condições de dignidade. 
O indivíduo, novamente.

Art. 6º É assegurada a atenção integral à saúde dos membros da entidade familiar, por intermédio do Sistema Único de Saúde – SUS, e o Programa de Saúde da Família, garantindo-lhes o acesso em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial ao atendimento psicossocial da unidade familiar.
[...]
 V – assistência prioritária à gravidez na adolescência 
[...]
§ 2º Incumbe ao Poder Público assegurar, com absoluta prioridade no atendimento e com a disponibilização de profissionais especializados, o acesso dos membros da entidade familiar a assistentes sociais e psicólogos, sempre que a unidade da entidade familiar estiver sob ameaça. 
§ 3º Quando a ameaça a que se refere o parágrafo anterior deste artigo estiver associada ao envolvimento dos membros da entidade familiar com as drogas e o álcool, a atenção a ser prestada pelo sistema público de saúde deve ser conduzida por equipe multidisciplinar e terá preferência no atendimento.  
Vamos assegurar assistência ao indivíduo? Insisto nisso pelo simples fato de que muitas pessoas não tem família. E, talvez, elas necessitem de um pouco mais de atenção, não é mesmo? E as meninas que engravidam e são expulsas de casa, como ficam? Perdem a vez? Quer dizer, não tem apoio do pai da criança, não tem apoio da família e agora, para o Estado, ela não tem prioridade. E o usuário de drogas e de álcool então? Quantos estão morando nas ruas por abandono ou desistência da família ou porque simplesmente se entregaram ao vício? Não deviam ter prioridade?

E para finalizar os comentários: um estatuto que se diz "da família" e não dedica espaço para as crianças em abrigo e na fila de adoção não merece mesmo o meu respeito. Não deveria merecer o seu também, já que o que está em jogo aqui não é o fortalecimento da família, como pode parecer, mas sim uma brecha para marginalizar as famílias formadas por pais ou mães homossexuais, ou que não estejam de acordo com práticas cristãs. Como o deputado disse em entrevista, "a família vem sofrendo com as rápidas mudanças ocorridas na sociedade". E completa: "o fato é que não há políticas públicas voltadas para a valorização da família e ao enfrentamento de questões complexas do mundo contemporâneo". Quanto eufemismo pra dizer que a família tradicional margarina não é mais a única aceita socialmente. E deu pra notar, pela definição de família, qual "tipo de família" ele quer defender aqui.

Existe uma enquete informal no site da Câmara sobre a definição de família. É uma forma de os deputados sondarem a opinião da sociedade. (espero que eu tenha convencido alguém a votar no NÃO). Já foi criada uma comissão especial para analisar e discutir o projeto.




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Um dia bom

Chega um momento da vida (não sei se pra todos - espero que não) em que as responsabilidades, as contas pra pagar, o planejamento, a escola da criança, o mercado, a casa, o trabalho exaustivo e a rotina maluca atolam qualquer perspectiva de tranquilidade. E no meu caso, tranquilidade é quase sinônimo de felicidade. Chega um momento em que o cansaço é tanto que as mãos tremem. É nessa hora que você se obriga a dar um pause.

Primeiro pause na vida: dormir cedo. Nem foi tão difícil, dado o quadro de cansaço que eu contei ali em cima. Dormir pouco depois da meia noite é milagre na minha vida. Milagre realizado.

Acordar às 6 da manhã sempre foi um sacrifício pra mim. Dessa vez, não foi. Fazia tempo que eu não experimentava isso de dormir cedo e acordar cedo. Olha, recomendo.

Cria na escola (essa história merece um post) e eu tenho 4 horas para colocar tudo no lugar, lavar roupa, ajeitar a casa, pagar as contas que faltam e... não. Sentei no sofá e coloquei no meu canal favorito de toda a tv a cabo: Discovery Home & Health. Tudo rolando bem durante o pause.

De volta da escola, a cria capota na cama. Oba! Aproveito o tempo para utilizar minhas técnicas avançadas na cozinha e fazer um (são dois) dos meus pratos-favoritos-que-aprendi-a-fazer-sozinha: filé ao molho madeira.

Sento confortavelmente no meu puff, coloco estrategicamente no lugar perfeito (bem na cara da televisão) pego a mesa da Barbie (que já faz parte dos móveis da casa) e como a minha comida preferida do momento assistindo Friends. Cara, tem como melhorar? Tem.

Assim que termino, cai uma chuva daquelas de deixar a paisagem branca, de não ser possível enxergar o que acontece na rua. Depois de tantos dias e meses de calor, essa era uma oportunidade única, imperdível. Desliguei a TV e fui pra debaixo da coberta junto com o meu projeto de gente. Casa escura, chuva lá fora, só me resta dormir. E foi lindo. <3

Poderia ter sido apenas um dia normal, ou até meio monótono. Mas eu preferi aproveitar a felicidade nos pequenos momentos. Até porque um outro momento desse, sei lá quando terei de novo. A realidade já está chamando. A chuva parou, o trabalho vem aí novamente. Para terminar o Dia do Pause bem, eu resolvi que não ia fazer nada que me chateasse. E é por isso que não vou lavar a louça hoje.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O que você não pode deixar de ouvir em 2014

Cansou das músicas que ouve? Tá procurando gente nova pra se apegar? Eu também. Pedi ajuda pro meu consultor-bróder-caroneiro-genro que mamãe pediu a deus-amigo de todas as horas @afuenso e ele mandou muitas dicas. Tem playlist no fim do post pra facilitar e você poder ouvir tudo de uma vez e sem parar. Tá liberado o joinha na playlist pra agradar os coleguinhas também.

Betty Who



Pra quem tem saudade daquele pop oitentista muleque, que jogava no campo de terra e fazia dribles incríveis.Betty Who (cujo nome verdadeiro é Jessica Anne Newham) é uma cantora australiana de 22 anos que fez um grande barulho na "blogosfera musical" com o seu 1º single, a deliciosa "Somebody Loves You". Em abril de 2013 ela lançou o seu também ótimo EP de estréia, "The Movement". Em 2014 ela já anunciou um 2º EP, "Slow Dancing" e prepara o lançamento de seu álbum de estréia, previsto pro final do ano.


Sam Smith



Sam Smith é o novo queridinho da imprensa musical internacional, e não é a toa. Ele está no topo da BBB Sounds of 2014, considerada a lista mais prestigiada para novos artistas (e que já revelou gente como Elle Goulding e Florence + The Machine). Sam tem um som que mistura sua incrível voz cheia de soul com um som reminiscente do Dance dos anos 90. Você já deve até ter ouvido o cara sem saber através das participações de sucesso com o Produtor Naughty Boy e os queridinhos da cena eletrônica, Disclosure. O 1º single, "Money On My Mind" já é sucesso na Inglaterra e o LP de estréia está previsto pro 1º Semestre.

Karol Conká



Karoline dos Santos Oliveira, mais conhecida como Karol Conká, é uma das principais representantes do Rap feminino dos últimos tempos no país. Ela já lançou o 1º, "Batuk Freak", e teve ótima recepção da crítica com a sua mistura de vários ritmos com o rap, algo parecido com o que o Criolo fez em 2011. As atenções se voltaram mesmo pra Karol a partir da colaboração com o DJ Bo$$ in Drama. Esperem coisas novas e divertidíssimas da parte dela pra 2014.

Sevyn Streeter



Sevyn percorreu o caminho que 90% das cantoras completamente irrelevantes percorrem: tentou uma carreira solo sem base, participou da montagem de uma girl band que não decolou e começou a escrever músicas pra outros artistas. O problema é que as músicas dela, além de serem boas, entraram nas paradas. "Fine China" do Chris Brown e "The Way" da Ariana Grande garantiram a Sevyn o direito de se lançar como artista solo. "I Like It", seu 1º single fez barulho na internet e chegou a entrar no Top 20 das paradas de R'nB Americanas. Logo depois ela foi apadrinhada por Chris Brown e lançou com ele a excelente "It Wont Stop", que foi carro chefe do elogiado EP de estréia "Call Me Crazy, But...". Em 2014, já é certo o lançamento do álbum, que promete ser cheio do ótimo R'nb tradicional que ela vem fazendo.

Broods



Broods pode ser considerado um Sandy & Júnior Neozelandês. Com a diferença da música ser boa e do projeto ser encabeçado por Joel Little, que somente compôs e produziu o cd da bombadíssima Lorde. Os irmãos acabaram de liberar o EP homônimo de estréia e prometem o álbum completo pro fim do ano.

Foxes



Essa já é bem conhecida pela sua colaboração com o DJ Zedd, na mega bombada "Clarity". Mas o cd de estréia da cantora, "Glorious", promete muito mais, as duas músicas do álbum liberadas, a ótima "Youth" e o incrível carro-chefe "Let It Go For Tonight" mostram que ela tem tudo pra continuar o sucesso de "Clarity" em 2014.

MC Ludmilla



Essa é pra quem achou que o funk tava de fora. A Ex-MC Beyonçé teve que largar o nome pra se lançar por uma grande gravadora. As primeiras músicas com o novo pseudônimo já mostram por que ela é a nova queridinha do Funk Carioca. Misturando eletrônica com Funk e letras divertidíssimas, ela tem tudo pra ser grande em 2014.

MNEK



Esse gênio britânico em formação já escrevia e produzia música profissionalmente com CATORZE anos. Após trabalhar com boa parte dos artistas do Reino Unido, o também cantor (agora com 19 anos) se prepara para estrear o próprio álbum, que promete ser bem eclético e moderno.

Agora se joga na playlist e diz pra gente o que você achou. ;]

sábado, 25 de janeiro de 2014

#Bookdodia - 642 Things to Write About

Estava eu no meio de um limbo, de um branco, sem conseguir escrever qualquer coisa que prestasse. Resolvi dar um passeio na livraria e me deparei, por acaso (porque provavelmente não estava guardado no lugar certo), com o livro 642 Things to Write About. É um livro. Mas quem escreve é você. São 642 tópicos aleatórios para você escrever sobre. Uns pessoais, outros absurdos, alguns para te fazer pensar e alguns para treinar sua imaginação e capacidade de escrever roteiros. E eu pensei que era isso que eu estava precisando naquele momento de empacamento criativo.  Curti mais os pessoais, mas o quem é chegado numa ficção vai gostar do exercício também.

Demorei um pouco pra entrar no clima, porque ele acaba virando um diário de tão pessoal em algumas partes. Mas até que saíram algumas coisas legais. Tipo essas:

Relembre um incidente do seu passado em super-slow motion, incluindo seus pensamentos

Eu odeio sinal amarelo. Dá aquela sensação de incerteza. Tipo aquele carro ali. Não sei se ele vai parar ou nã... puta que pariu. O carro tá girando. Ele bateu na gente. O carro ainda tá girando. Eu morri? Acho que não. O que eu faço? Parou. Tô sangrando? Tô com medo de abrir os olhos. Meu nariz! Será que quebrei meu nariz? Eu amo meu nariz! Ah, não, ele tá no lugar. Meu braço tá doendo mas não tô sangrando. Ninguém tá. Caralho. Caralho. Caralho. Tô tremendo. Os bombeiros chegaram. Ele tá dizendo pra moça que eu escapei por sorte? Puta que pariu. Melhor eu não me mexer. Pelo menos foi o que eu vi na televisão...

Aquela vez que você fez xixi na roupa

Tenho mania de segurar xixi desde criança. Em três momentos eu não segurei o suficiente. Num deles estava chovendo e eu fui pra chuva de propósito pra camuflar a calça molhada de xixi com água da chuva. No outro eu só consegui chegar até o portão de casa. Coloquei a roupa na máquina de lavar e a culpa do tênis mijado no gato. No terceiro, foi muito difícil tirar a cinta.

Conte um diálogo recente entre você e um amigo

[...]
- Precisei de um ano de amadurecimento pra pensar assim.
- O bom do tempo é isso. As coisas se tornam mais simples. Não no meu caso. Eu complico mesmo.
- Você consegue complicar a cada dia.
- Sério, tô muito de parabéns por isso.
- O diretor da sua vida é Walcyr Carrasco, por acaso?
- Tô achando que é.  Melhor que Glória Perez, tem muito drama. Na minha vida eu pelo menos consigo rir.
- Se fosse Manoel Carlos você estaria morando no Leblon
- hahahaha
- Só não pode ser diretor de seriado, se não você demora 10 anos pra ter um final feliz.
- Mas eu acho que minha vida é uma daquelas séries que são canceladas na 1ª temporada.
- E as pessoas se lamentariam "poxa, era tão boa, pena que deu merda e acabou"
- "é, mas não tava dando audiência"
- "teve ator querendo sair da série"
- E quando vem a fase Vale a Pena Ver de Novo?
- Você já sabe o que vai acontecer e mesmo assim acompanha essa merda
- Minha história com aquele carinha parecia Malhação. Mas eu queria que fosse pelo menos tipo Amores Roubados que pelo menos rolava sexo.
- HAHAHAHAHAHA
[...]
Dias depois:
- Eu sou a Samanta de Sex and The City.
FIM.

642 Things to Write About é um livro pra mexer com a imaginação e pra escrever qualquer tipo de coisa utilizando a licença poética "não sou eu, é o livro quem está pedindo" e assim você está resguardado de todo e qualquer constrangimento de descrever um dia perfeito de um astronauta, ou inventar o diálogo de duas pessoas que se odeiam que ficaram presas no elevador. Ou ainda, sobre uma cena de sexo que você nunca deixaria sua mãe ler.

Para os que curtiram a ideia dos livros interativos, o mais recente e famosinho é o Destrua Este Diário. Nele, você não vai escrever, mas soltar toda a sua imaginação e criatividade e dom desenhando, mas também cumprindo tarefas que vão, realmente, destruir o diário, como levá-lo para tomar banho rasgar páginas e lombada. Mas, se você tem um apego os livros e prefere ficar só na vibe dos desenhos, existe uma categoria de livros muito gracinha chamada Doodles. Você abre o livro e vai encontrar várias instruções e tarefas do que desenhar. Cata aí seu estojo de lápis de cor e divirta-se.
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